Cruzília - Minas Gerais - Informações sobre a cidade

Município de Cruzília
"Berço dos Cavalos Mangalarga"
"Mangalarga Marchador"
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário 27 de Dezembro
Fundação 1948
Gentílico cruziliense
Lema
Prefeito(a) José Carlos Maciel de Alckmin
(2009 – 2012)
Localização

21° 50' 20" S 44° 48' 28" O21° 50' 20" S 44° 48' 28" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008
Microrregião Andrelândia IBGE/2008
Região metropolitana
Municípios limítrofes Luminárias, São Thomé das Letras, Baependi, Aiuruoca, Minduri e Carrancas.
Distância até a capital 384 km
Características geográficas
Área 523,470 km²
População 15.373 hab. est. IBGE/2009
Densidade 29,2 hab./km²
Altitude 1010 m
Clima tropical de altitude Cwb
Fuso horário UTC-3
Indicadores
IDH 0,745 médio PNUD/2000
PIB R$ 72.273 mil IBGE/2005
PIB per capita R$ 4.794,00 IBGE/2005
Praça Cap. Maciel e Igreja Matriz em 2009.

Cruzília é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. De acordo com o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2007, sua população era estimada em 14.656 habitantes.

Localizada no Sul de Minas, Cruzília pertence ao Caminho Velho da Estrada Real e integra o chamado Circuito Turístico das Montanhas Mágicas da Mantiqueira. É conhecido por suas fazendas centenárias e por ter dado origem aos cavalos da raça Mangalarga Marchador. Além disso, a qualidade dos móveis e dos queijos finos produzidos tornaram o município uma referência nacional.

Índice

Economia

Cruzília é o Berço dos Cavalos Mangalarga e Mangalarga Marchador. Vencedores de vários prêmios nacionais, o município conta com um dos melhores plantéis de cavalos da raça no Brasil, muitos deles em fazendas centenárias, carregadas de histórias e cultura local. No final do mês de Agosto acontece anualmente, no Complexo Humano da Ventania, a Copa de Marcha do Sul de Minas, uma das etapas mais importantes do calendário.

Na pecuária, o município se destaca pela tradicional produção leiteira e de insumos agrícolas, como o milho e o feijão. A fabricação de queijos também tornou a cidade uma referência entre os queijos finos de alta qualidade, levando o município à liderança no Ranking Nacional dos melhores queijos do Brasil em 2009.

A indústria moveleira merece destaque por sua alta capacidade e qualidade na produção de móveis sob medida para todo o Brasil, abastecendo principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Os artesãos produzem verdadeiras obras-primas, como é o caso da cadeira e altar em madeira usados por sua santidade o Papa Bento XVI em sua visita ao Brasil, em maio de 2007.

Cultura

Educação

No centenário Colégio Parochial São Sebastião, atual E.E. São Sebastião - que mantém sua estrutura até hoje - boa parte da população cursou o ensino Fundamental e Médio. Foi uma das mais respeitadas instituições de ensino do Sul de Minas em tempos passados.

Há ainda no município a E.E.D. Leonina Nunes Maciel, E.E. Mons. João Câncio e E.M.D. Benvinda Imaculada Conceição, entre outras.

Esporte

Dois clubes mantém no município uma rivalidade histórica. O 7 de Setembro F.C., o Verdão, fundado em 1915 e ganhador de cinco ligas regionais, teve entre as décadas de 1960 e 1980 times e jogadores de reconhecida qualidade técnica.

O Ypiranga A.C., o Amarelão, fundado em 1955, travava com o rival belíssimas disputas nos antigos torneios, como no grande campeonato conquistado em 1985. Atualmente, ambos estão filiados à Liga Andrelandense de Futebol. Cada clube possui estádio próprio, e com a reconstituição que sofreram nos últimos tempos estão novamente a trazer emoções aos seus apaixonados torcedores.

Lazer

O Clube Campestre Ypê, localizado na zona rural, a 5 km da cidade, é um dos mais antigos e estruturados clubes da região, com piscinas, quadras e campos de futebol, sauna, quiosques, parque infantil e duas represas, destinadas à prática de caiaque e pescaria. O clube é também bastante conhecido pelo Baile do Hawaíí, que promove sempre nas noites de sexta-feira do carnaval.

O Clube Recreativo Encruzilhadense - CRE, é também um dos mais antigos da região. Entre bailes, shows e eventos cívicos, o CRE continua presente na memória da maioria dos cidadãos cruzilienses. Atualmente o edifício encontra-se em processo de reestruturação, a fim de se adaptar às necessidades hodiernas de segurança.

Música

Cruzília ostenta um dos mais importantes festivais de música do Brasil, que faz parte do Calendário Cultural do Estado de Minas Gerais. Foi realizado pela primeira vez em 27 de dezembro de 1972, dia da cidade, idealizado e produzido por Adolfo Maurício Pereira, coordenado por um grupo de jovens cruzilienses, e contou com o apoio ímpar de Berenice Maciel Penha (Berene). De lá para cá foram 28 edições, por onde já passaram nomes como Marcus Viana, Sílvio Brito, João Boa Morte, Tibério Gaspar, Ceumar, entre tantos outros.

Surgiu como uma iniciativa privada, sem qualquer apoio oficial. Apenas em 1983 passou a integrar o calendário oficial do município.

O Festival de Cruzília, salvo em condições atípicas, sempre acontece na segunda quinzena do mês de julho.

História

Cruzília teve os nomes de Encruzilhada, Cruz da Estrada e Cruzileia (estes dois últimos de curta duração).

Quando se tratou da revisão dos municípios brasileiros, verificou-se que a Encruzilhada do Sul (RS) era mais antiga que a Encruzilhada mineira, que teve que perder o nome para Cruz da Estrada. Tal, no entanto, não é verdade, pois o topônimo Encruzilhada na região de Baependi data da segunda metade do século XVIII, sendo, por isso mesmo, anterior à Encruzilhada gaúcha.

O topônimo lembra duas estradas que ali se cruzavam, uma que ia ter Aiuruoca e Alagoa, outra a Carrancas e interior da Capitania. O nome Encruzilhada aparece desde os remotos anos de 1718/20, quando Francisco Martins, Diogo Pires, Tomé de Souza e Silva, Pedro da Silva Góis e Diogo Moreira, todos eles moradores em Encruzilhada, procuraram pagar os impostos devidos à Coroa, no antigo Distrito de Baependi.

Em 1726, aos 20 de dezembro, D. Lourenço de Almeida, governador mineiro, concede uma sesmaria a Manoel de Sá “que há dois anos, sem contradição alguma, está cultivando umas terras que até esse tempo nunca tiveram dono nem cultura no sertão que vai da Encruzilhada para Jeruoca” (Revista do Arquivo Público Mineiro de 1899, pág. 180). Recebeu légua e meia de testada para a parte de Aiuruoca e duas léguas de sertão, obrigando-se a cultivá-las no prazo de dois anos. Esse Manoel de Sá foi o primeiro dono do sítio da Encruzilhada, em cujas terras foi fundado o lugar. Isso consta dos registros paroquiais de Baependi, na especificação “assistentes no sítio da Encruzilhada”, desde o ano de 1732. Outros registros, posteriores, são mais claros na designação do lugar, que então ia crescendo.

Em 1800 já aparece o nome “bairro da Encruzilhada”, nos registros de Baependi. Seu antigo cemitério data do ano de 1758. Com a decadência do lugar, os falecidos passaram a ser sepultados em Baependi. Bem mais tarde é que foi restabelecido o cemitério, segundo termo de óbito do ano de 1822. O progresso do lugar data de 1838. Não havia capela alguma, a não ser em fazendas. As principais fazendas eram dos manos João e José de Souza Meireles, que possuíam em casa oratórios, devidamente providos pela autoridade diocesana. Esse oratório (o de José de Souza Meireles) era dedicado a São José e se achava construído na fazenda do Angaí.

A capela da Encruzilhada é do ano de 1861. Foi benta pelo vigário de Baependi, cônego Joaquim Gomes do Carmo, a 11 de agosto daquele ano.

Progredindo a localidade, foi criada a Paróquia pela Lei Mineira nº 1995, de 14 de novembro de 1873.

Como vimos pela resenha dos primórdios da Encruzilhada, o pequeno povoado, ex-cemitério, chegou ao ano de 1873 com o alvissareiro acontecimento de sua elevação a distrito, com o pomposo nome de São Sebastião da Encruzilhada. Foram criadas escolas e em 1878 uma Agência dos Correios. Com a delimitação de sua área, ficou o novo distrito com mais de 500 km² de terras desmembradas do município de Baependi.

O então novo arraial de São Sebastião da Encruzilhada modorrou por muitos anos na dependência da sede da Comarca, sem recursos para melhoramentos indispensáveis ao bem estar de seus habitantes, sem assistência médico-hospitalar, sem dentista, sem estradas, sem iluminação, sem esgoto e sem qualquer diversão para a sua gente. A instrução pública deficiente, com apenas duas pequenas salas de aula, que não chegavam para alfabetizar a maioria de suas crianças.

Não havendo eletricidade, não existia iluminação pública e era então corrente o uso de velas e antiquadas candeias de azeite ou os lampiões a querosene. Nos domicílios mais sofisticados viam-se dependurados nas salas os então modernos lampiões belgas.

A situação era um tanto desoladora e até deprimente para um povo civilizado em pleno século XX. Foi atendendo a essa situação que o vereador Cornélio Maciel, já no vigésimo ano do século, conseguiu na Câmara de Baependi os recursos necessários para a instalação de uma pequena usina hidroelétrica.

O arraial era pobre e os seus mil e quinhentos e poucos habitantes viviam de um reduzido número de empregos e serviços avulsos, às vezes insuficientes mesmo para a própria manutenção.

Os fazendeiros do distrito, alguns com propriedades agrícolas muito anteriores à criação do próprio arraial, limitavam-se a construir suas casas no centro urbano e a freqüentá-las duas vezes por ano: no dia do padroeiro São Sebastião e pela Semana Santa. Mandavam também seus filhos aprender a ler no Colégio do Padre João Câncio. No resto do ano as casas se mantinham fechadas, dando um aspecto lúgubre ao arraial.

Nessa apatia decorreram algumas décadas, talvez meio século, até que um dia o próprio povo resolveu enfrentar a situação de acomodatícia indiferença e transformar o pacato e subdesenvolvido distrito em um forte e pujante município.

Em 1937 o velho arraial é elevado à categoria de vila e aí começou o seu desenvolvimento, lento mas perseverante, como cidade que aspirava colocar-se em posição igual às suas co-irmãs da região.

Praça Cap. Maciel em 1952.

Por imposição legal que proíbe a duplicidade de nome nas cidades, São Sebastião da Encruzilhada foi em 1944 transformada em Cruzília.

Uma faceta curiosa ocorreu nesta ocasião: o governo do Estado, ao baixar o decreto para a mudança de nome, substituiu a proposta pela de “Cruz da Estrada”. Estava já o decreto pronto para ser publicado no jornal oficial, quando alguém denunciou a impropriedade da esdrúxula toponímia, cuja significação não tinha sentido. Em tempo a publicação foi sustada e corrigido o batismo com o nome de CRUZÍLIA.

Aqui pedimos vênia para uma observação, a propósito deste topônimo que a “Enciclopédia dos Municípios” interpretou como Terra da Cruz; o equívoco está precisamente neste significado da palavra “Cruzília”, que não corresponde à realidade do seu objetivo. Na verdade, a origem do nome “Encruzilhada” não veio da existência no local de uma cruz e sim do cruzamento de estradas. A cruz aqui entra como Pilatos no Credo. Dela só deveria ser aproveitada a forma geométrica. Com exceção do “Cruzamento” e “Cruzilhada” que são sinônimos perfeitos de ENCRUZILHADA, qualquer outro derivado de CRUZ é impróprio para o caso.

Esta observação será útil aos pósteros, quando procurarem investigar porque “Encruzilhada” transformou-se em “Cruzília”.

Igr. do Rosário em 1º plano. 2007.

O Município de Cruzília foi criado pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948. Sua instalação deu-se em primeiro de janeiro de 1949, em sessão solene realizada no então Colégio Paroquial São Sebastião, sob a presidência do Dr. Carlos de Vilhena Valadão, Juiz de Direito da Comarca de Baependi.

Modificada a estruturação política, o povo correu às urnas e elegeu seus novos dirigentes, norteado por um vigoroso espírito de liberdade e autonomia. O prefeito municipal, Dr. José Maria Nunes Maciel, determinado e trabalhador, empreendeu então uma caminhada de muitas realizações que serviram, principalmente, para fazer crescer o espírito comunitário de nossa gente. Mobilizada, ela calçou ruas, construiu praças, erigiu templos, levantou escolas e hospitais. Quotizando-se, foi esta mesma gente modesta a responsável pelo erguimento de hospital e centros de saúde, pelos clubes e áreas de lazer, pela economia sempre ansiosa e correspondente.

E hoje é assim: uma pequena cidade, entre tantas outras do Brasil. Mas cheia de particularidades que conseguem determinar a cada cidadão seu este vaidoso sentimento de “cruzilidade”. Besteira? Quem conhece sabe que não.

Geografia

Distâncias

Saída para Minduri. Caminho Velho da Estrada Real. 2008.
São Paulo
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
Brasilia
1.080 km

Eventos

Galeria

Quem nasce em Cruzília é cruziliense
Fonte: Wikipédia
Previsão do tempo em Cruzília/MG

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