| Município da Estância Balneária de Iguape | |||||
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| Hino | |||||
| Aniversário | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Fundação | 3 de dezembro de 1538 (471 anos) | ||||
| Gentílico | iguapense | ||||
| Lema | |||||
| Prefeito(a) | Maria Elizabeth Negrão Silva (2009 – 2012) |
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| Localização | |||||
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| Unidade federativa | São Paulo | ||||
| Mesorregião | Litoral Sul Paulista IBGE/2008 | ||||
| Microrregião | Registro IBGE/2008 | ||||
| Região metropolitana | |||||
| Municípios limítrofes | Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Pariquera-Açu e Cananeia | ||||
| Distância até a capital | 209 km | ||||
| Características geográficas | |||||
| Área | 1.980,916 km² | ||||
| População | 30.675 hab. est. IBGE/2009 | ||||
| Densidade | 14,5 hab./km² | ||||
| Altitude | 3 m | ||||
| Clima | Subtropical (Cfb) Cfa | ||||
| Fuso horário | UTC-3 | ||||
| Indicadores | |||||
| IDH | 0,757 médio PNUD/2000 | ||||
| PIB | R$ 185.530 mil IBGE/2005 | ||||
| PIB per capita | R$ 6.493,00 IBGE/2005 | ||||
Iguape é um município brasileiro do estado de São Paulo. Localiza-se a uma latitude 24º42'29" sul e a uma longitude 47º33'19" oeste, estando a uma altitude de 3 metros. Sua população estimada em 2004 era de 28.367 habitantes.
A palavra "iguape" tem origem tupi-guarani e significa "água redonda". Não se sabe, porém, por que os indígenas chamavam essa região assim. Uma possível explicação para esse nome é a planta aguapé, bastante comum na região. Também acredita-se que o desenho do rio Ribeira de Iguape nessa área, onde ele se aproxima bastante do mar e depois retorna ao interior para desembocar mais à frente possa ser origem do nome. Seu centro histórico é tombado pelo IPHAN como patrimônio nacional desde 2009.
Oficialmente, Iguape foi fundada em 3 de dezembro de 1538 (471 anos). A data de fundação atual foi estabelecida em 1938, pelo então prefeito, Manoel Honório Fortes, o qual incumbiu uma comissão de historiadores paulistas, presidida pelo ilustre Afonso d'Escragnolle Taunay, para estabelecerem a data provável da fundação, sendo aceito o dia 3 de dezembro de 1538, baseados em documentos históricos que usam como referência a data de separação de Iguape e Cananeia. A real data da fundação do município é desconhecida. Alguns historiadores chegam a acreditar que já havia europeus vivendo na região mesmo antes do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares Cabral. Remonta a 1577, a data que o povoado foi elevado à categoria de Freguesia de Nossa senhora das Neves da Vila de Iguape, quando foi aberto o primeiro Livro do Tombo da Igreja de Nossa Senhora das Neves, construída no local conhecido por Vila Velha, no sopé do morro, chamado de "Outeiro do Bacharel", defronte a barra do Icapara. Não se sabe ao certo, a data da elevação à vila, porém, acredita-se que tenha sido entre 1600 e 1614, quando, neste último ano, foi iniciada a construção da antiga Igreja Matriz, já no local atual, no centro urbano, após a mudança da então freguesia, ordenada pelo fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira. A vila foi elevada a cidade pela lei n° 17 de 3 de abril de 1848 com o nome de Bom Jesus da Ribera, mas no ano seguinte, por lei n° 3 de 3 de maio, modificado o nome para Bom Jesus de Iguape, e o costume popular simplificou para Iguape.
Em 1494, foi firmado um acordo entre Portugal e Espanha estabelecendo a exata dimensão de suas posses nas terras recém descobertas. A partir desse momento histórico, o Tratado de Tordesilhas fixaria os limites territoriais de portugueses e espanhóis, inclusive nas terras americanas. O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. O referido meridiano passava sobre Iguape, ao sul, o limite era o Rio da Prata; a leste, o Oceano Atlântico, e a oeste a Província de Tucuman, atualmente pertencente à Argentina. Outro limite era a cidade de Santa Cruz de la Sierra, elevada à província e desmembrada do Paraguai pelo Marquês de Cañete. O pouco que se sabe sobre as origens de Iguape é que chegou à região por volta do ano 1502, trazido pela expedição de Américo Vespúcio, uma figura obscura da história brasileira, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como Bacharel de Cananeia. O Bacharel tornou-se uma figura poderosa na região, vindo a possuir muitos escravos e não prestando obediência à coroa portuguesa. Por esses tempos -possivelmente desde 1498 - também ali vivia o aventureiro espanhol Ruy Garcia Moschera, a quem é oficialmente atribuída a fundação do município. Moschera vivera anteriormente no rio da Prata e se instalara ali possivelmente por ser aquela uma região de disputa entre Espanha e Portugal, visto que se encontrava próxima à linha do Tratado de Tordesilhas, que havia sido ratificado havia poucos anos e cuja demarcação correta ainda não estava estabelecida.
Registros históricos dão conta que em 1532, pouco depois de chegar ao Brasil, Martim Afonso de Sousa ordenara a desocupação por Moschera e pelo Bacharel do território onde hoje está Iguape, que pertenceria à coroa portuguesa e, não sendo atendido, ordenara uma expedição chefiada por Pero de Góis que deveria executar a desocupação à força. A essa altura, informados sobre a expedição, Moschera e o Bacharel, apoiados por duzentos indígenas flecheiros, capturaram um navio corsário francês que pouco antes aportara a Cananeia em busca de provisões, apoderando-se de suas armas e munições. Em seguida, fizeram cavar uma trincheira em frente à povoação de Iguape, no sopé do morro, conhecido por "Outeiro do Bacharel", guarnecendo-a com quatro das peças de artilharia do navio francês. Na sequência, dispuseram vinte espanhóis e cento e cinquenta indígenas emboscados no manguezal do Mar Pequeno, subindo a foz da barra do Icapara, aguardando a força portuguesa. Esta, composta por oitenta homens, ao desembarcar foi recebida sob o fogo da artilharia, sendo desbaratada. Na retirada, os sobreviventes foram surpreendidos pelas forças espanholas, emboscadas na foz da barra do Icapara, onde os remanescentes pereceram, sendo gravemente ferido o seu capitão, Pero de Góis, por um tiro de arcabuz. À esta batalha dá-se o nome de Entrincheiramento de Iguape. Em contrapartida, entre os anos de 1534 e 1536, ao lançar um contra-ataque que ficou conhecido como a Guerra de Iguape, as forças de Moschera e do Bacharel destruíram a vila de São Vicente, matando a maior parte da população, libertando os prisioneiros e incendiando o cartório onde estavam os registros oficiais do município, levando inclusive o Livro do Tombo, fonte oficial de informação sobre a região de Iguape e sobre seus fundadores. Após os ataques, ambos teriam fugido para a Ilha de Santa Catarina, tendo Moschera retornado ao rio da Prata e o Bacharel Fernandes para Cananeia.
A povoação de Iguape continuou sob o domínio do Bacharel Fernandes e teve sua primeira igreja, em homenagem a Nossa Senhora das Neves, construída em 1537. Após alguns anos de existência onde hoje está a vila de Icapara, a falta de água potável, a falta de espaço para expansão e eventuais ataques piratas levaram à transferência da então Freguesia de Nossa Senhora das Neves de Iguape do seu local original para outra área alguns quilômetros ao sul, entre os anos 1620 e 1625, por ordem do fidalgo português Eleodoro Ébano Pereira, para onde atualmente situa-se o centro urbano do município, em uma sesmaria cedida pelo donatário Francisco Alvares Marinho, sendo o termo de doação assinado em 2 de julho de 1679 por Francisco Pontes Vidal e Manoel da Costa, herdeiros de Cosme Fernandes.
Ainda no século XVI foram descobertos os primeiros sinais de ouro na região. Devido à sua abundância, a procura logo se intensificou e rapidamente a exploração do ouro de aluvião se tornou a principal atividade econômica do município. Conta-se que nesse período a riqueza era tamanha que as mulheres enfeitavam seus cabelos com ouro em pó. Para evitar o contrabando e intensificar a cobrança de impostos pela coroa portuguesa, foi fundada por volta de 1630 a Casa de Officina Real de Fundição de Ouro, que é considerada por alguns historiadores como sendo a primeira do gênero no Brasil. No casarão onde funcionava a fundição hoje está o museu do município. Outros casarões que hoje fazem parte do centro histórico do município também são dessa época.
Com o esgotamento das minas e o descobrimento de ouro no interior do Brasil, especialmente em Minas Gerais, o município rapidamente entrou em declínio, voltando depois a crescer com o desenvolvimento da indústria de navegação e com a plantação de arroz.
Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do aparecimento da santa imagem, mandada escrever no Livro do Tombo em 1730, pelo Reverendo Padre Christóvão da Costa e Oliveira, o qual a transcreveu de documentos ainda mais antigos, e era tradição que a imagem do Senhor Bom Jesus vinha do Reino de Portugal, embarcada para Pernambuco, e ao encontrar com inimigos infiéis, com receio de ter seus objetos religiosos profanados, os portugueses a lançaram no mar, juntamente com o que se achou junto dela, cera e azeite doce. Alguns meses depois, Francisco de Mesquita, morador da Praia da Jureia, mandou dois índios boçais e sem conhecimento da fé, para a Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém. Estes, ao passarem pela Praia do Una, acharam junto ao rio Passauna, um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o puserão em pé com o rosto para o nascente e assim deixaram com um caixão, cera do reino e umas botijas de azeite doce, os quais se encontravam afastados do local. Ao retornar, os índios acharam o dito vulto desconhecido, no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho não haver vestígio sequer de que alguem o tivesse movido. Logo que chegaram ao sítio de seu administrador, contaram o fato e a notícia se espalhou, e assim que se soube pelos vizinhos, resolveram que Jorge Serrano e sua mulher Anna de Góes, seu filho Jorge Serrano e sua cunhada Cecília de Góes, ia ver o que foi contado pelos índios, e acharam a santa imagem e a colocaram em uma rede e a trouxeram alternadamente entre eles, até o sopé do morro da Juréia, local conhecido como rio Verde, onde foram alcançados por moradores vindos da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, que souberam da notícia, e os ajudaram no transporte até o alto do morro, onde estes prosseguiram até a barra do rio, no bairro Barra do Ribeira, onde os moradores da então vila de Iguape foram buscar a imagem. Esta foi então levada para um riacho, no sopé do Morro do Espia, onde sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente. Após ser decorada, foi entronizada no altar-mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves em um sábado no dia 2 de novembro de 1647. No mesmo tempo em que foi achada a imagem na praia, foram vistas pelo Padre Manoel Gomes, Vigário da Ilha de São Sebastião, cruzar o mar de Norte a Sul, seis luzes iluminando uma grande circunferência, segundo disse o Vigário ao Reverendo Padre Antonio da Cruz, religioso da Companhia de jesus, e que seja transmitida à todos, e estes louvem ao Senhor como convém, segundo a profecia: Orietur vobis Sol justitiae, et sanitas in pennis ejus (Para vós nascerá o Sol da justiça, e estará a salvação sob as suas asas - Ml 4,2). Este riacho ficou conhecido como Fonte do Senhor e segundo a lenda, a pedra sobre a qual a imagem foi banhada cresce continuamente, dando origem ao Senhor Bom Jesus de Iguape, que viria a ser (e ainda é) a segunda maior festividade religiosa do Estado de São Paulo, perdendo apenas para a festa de Nossa Senhora Aparecida.
Na década de 1780 foi dado início à construção da nova Igreja Matriz, haja vista a outra estar em precárias condições. A planta foi encomendada no Rio de Janeiro, custando mil réis, cuja obra executada pelo mestre canteiro Euzébio da Cunha Paiva, só foi concluída 80 anos depois. Em estilo colonial, feita de argamassa, óleo de baleia e pedras retiradas da face marítima do morro, as quais eram transportadas em canoas e depositadas próximo a obra, as pedras maiores que não cabiam nas canoas eram carregadas em carroças, todo o trabalho era executado pela população, voluntário e gratuitamente, sendo apenas dado a cada trabalhador a quantia de 80 réis para gastos com alimentação, cada bairro fornecia semanalmente vinte trabalhadores. Nos domingos e dias santos, depois da Missa Conventual, dirigiam-se a orla, a alta sociedade iguapense, e toda a população, era o Reverendo Vigário, o primeiro a carregar uma pedra e ir depositá-la no lugar da obra, exemplo que todos seguiam, trabalho que demorava por volta de duas horas. Os alicerces com vinte palmos de profundidade, por doze palmos de largura, também foram trabalhados pelo povo. Em 1798, as obras estavam avançando lentamente, e em 1800, estas pararam, retornando em datas esporádicas. Entre os anos de 1816 e 1821 foi mandado construir em Santos, grande quantidade de cantaria, as quais vieram numeradas a fim de serem colocadas em locais específicos. Em 1822 foram contratados no Rio de Janeiro, um mestre e três canteiros, e em agosto do mesmo ano, recomeçou-se a obra, ajudada pelo povo. O Reverendo Vigário, auxiliado pelos Sargentos-mores Bento Pupo de Gouveia e Bartolomeu da Costa Almeida e Cruz, fizeram uma subscrição onde o dito Bartolomeu da Costa contribuiria com um conto de réis, em dez prestações de cem mil réis anualmente e o Capitão-mor José Antônio Peniche, a telha necessária para cobrir a igreja, porém, devido seu falecimento sua esposa e filhos, contribuíram com um conto e duzentos mil réis em dinheiro.
A irmandade do Senhor Bom Jesus, também entrou com o capital que havia em caixa, na importância de noventa e quatro mil e duzentos réis, e por fim a obra foi auxiliada pelo governo, através da lei n° 13 de 17 de julho de 1852, foi concedida a metade da receita proveniente da contribuição do Canal do Valo Grande, que era de vinte réis por alqueire de arroz exportado para fora do município de Iguape. Desta forma, a igreja foi concluída, em estado de receber a bênção no dia 27 de julho de 1856, e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladas as imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Até esta data, a matriz de Iguape estava sob invocação de Nossa Senhora das Neves, mas por respeito a essa nova matriz, através da lei n° 11 de 3 de março de 1858 declarado que a Igreja Matriz desta paróquia ficasse sob a invocação do Senhor Bom Jesus de Iguape. No ano de 1956, elevada à categoria de Basílica. Nela está a imagem do Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves, padroeiros de Iguape, que atrai milhares de romeiros todos os anos, entre os dias 28 de julho e 6 de agosto.
Até o ano de 1810, a população era responsável pela mão de obra para manter limpo o caminho do Porto do Ribeira (atual Avenida Adhemar de Barros), entre 1810 e 1837, esse serviço era feito as custas dos donos da carroças que existiam na vila, sendo obrigados a reservar dois dias de serviço em cada mês, para pagar a manutenção. Em sessão do dia 15 de abril de 1836, o vereador José Jacinto de Toledo, indicou que a Câmara mandasse abrir uma rua, partindo do canto do seu prédio (atual "Hotel São Paulo"), em linha reta ao Porto do Ribeira, mandando orçar esse serviço. No dia 16 de junho, Toledo falou novamente sobre a abertura da referida rua, que foi orçada em 150$000 (cento e cinquenta mil réis), porém, achando a Câmara, muito dispendioso o serviço necessário, ficou adiado "por tempo mais oportuno". Em sessão de 13 de julho de 1837 foi resolvido então iniciar-se a abertura da nova rua, mas sua conclusão levou algum tempo. No dia 15 de abril de 1839 foi posto o nome de "Rua Direita", em homenagem à célebre rua paulistana, localizada no bairro Sé. No mesmo dia, foram demarcadas as ruas transversais até os limites dos terrenos pertencentes a vila, mas em julho de 1847 a Câmara não consentiu a passagem de veículos por esta nova rua. Após a Revolução Constitucionalista de 1932, em homenagem aos iguapenses que participaram do combate, esta passou a se chamar Rua 9 de Julho.
Em 4 de outubro de 1842, foi aberto um canal para levar a água de uma pequena fonte, chamada Fonte da Saudade para o Mar Pequeno, desviando as águas de seu antigo curso por onde corriam ao rio Ipiranga (atual largo Comendador Luiz Álvares da Silva). Em julho de 1843, por meio de uma subscrição, o procurador da Câmara mandou fazer na Fonte da Saudade uma parede de pedra e cal para servir de açude, com um cano colocado em altura conveniente para a passagem de água, e um tanque, também construído de pedra e cal, utilizado para lavar roupas. Em 13 dezembro de 1843, estava concluída a obra na dita fonte, e iniciada uma mais ou menos semelhante em outra pequena fonte, a qual foi chamada de Fonte de Todos os Santos, sendo que, esta foi feita para evitar que qualquer morador da vila fizesse ali alguma obra, para uso particular da fonte de água. Na Fonte da Saudade foi empregado oitenta e cinco mil réis, tendo a Câmara contribuído com trinta mil réis, e o restante pelos seguintes vereadores: João Mâncio da Silva Franco, doze mil e oitocentos réis, além de quatro dias de serviço de um escravo; Bernardo Antônio Neves, catorze mil réis; Antônio José Pinto, sete mil réis; Antônio José Gonçalves, dois mil réis, e Manoel José Corrêa seu serviço como administrador, na importância de vinte mil réis, porém seria preciso construir os muros da caixa, no qual se gastaria de dez a doze mil réis, para impedir possíveis invasões e danos, bem como, se impedir o corte de árvores no morro para evitar a extinção das fontes naturais, principalmente em época de estiagem, porque, exceto o córrego da Fonte do Senhor, os demais são córregos de pouca água, e pode se afirmar que hoje estes não tem nem a metade de quando o morro ainda não era explorado. Está localizada no sopé do morro, nos fundos da área onde está instalada a sede do IBAMA, e serviu por muitos anos ao povo como uma das alternativas para abastecimento de água potável, para lavar roupas, e também como local de lazer da sociedade iguapense.
Em 29 de abril de 1911, o município de Iguape, representando o Brasil na Europa, conquistou o diploma de honra internacional de melhor produtor de arroz do mundo, disputado em Turim, Itália. Trata-se de uma placa de bronze, em alto relevo, conseguida na 1.ª Exposição Internacional de Turim, realizada entre os meses de abril e outubro de 1911, em comemoração do cinquentenário do Reino da Itália, em um evento extraordinário que chamou a multidão de milhares de visitantes, com presença do rei Vítor Emanuel III, dos monarcas, das mais altas autoridades do reino e os representantes de vários países, inclusive o Brasil que possuía dois pavilhões de exposições, localizado as margens do rio Pó. Nele vê-se escrito em italiano: Diploma d'onore, Torino MCMXI, Esposizione Internazionale delle Industrie e del Lavoro (Diploma de honra, Turim, 1911, Exposição Internacional da Indústria e do Trabalho). O prêmio está assinado pelo escultor Edoardo Rubino, e encontra-se exposto ao público no Museu Municipal.
Em 1906, o pesquisador alemão Ricardo Krone (1862-1917), que morou em Iguape durante 30 anos, e era proprietário da "Pharmacia Popular", encontrou uma estatueta antropomorfa (representação estilizada da figura humana), esculpida em pedra gnaisse, medindo 9 cm de altura, 8 cm de comprimento por 3,2 cm de largura. A descoberta ocorreu durante uma de suas pesquisas há um quilômetro do sambaqui do Morro Grande, localizado entre as várzeas do rio das Pedras e o rio Comprido, na Estação Ecológica da Juréia-Itatins. Esta, ficou conhecida nos meios científicos como "Idolo de Iguape" e tem grande importância para a arqueologia brasileira. Segundo Krone, existe relações entre o Homem do Sambaqui e povos andinos evidenciada nos sambaquis da região, alguns mais modernos, outros porém, da época pleistocênica. Sua idade, calculada pelo Carbono 14, revelou que possui mais de 2500 anos. A estatueta original encontra-se no acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, em São Paulo. No Museu Municipal de Iguape encontra-se uma cópia da peça.
Em 9 de julho eclodiu a Revolução Constitucionalista de 1932, com os paulistas acreditando possuir o apoio de outros estados, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do sul de Mato Grosso, para a derrubada de Getúlio Vargas do poder, o que acabou não ocorrendo. São Paulo esperava a adesão do interventor do Rio Grande do Sul, o estado mais bem armado, mas este na última hora decidiu enviar tropas não para apoiar São Paulo, mas para combater os paulistas. Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram obrigados por Getúlio Vargas a se manterem ao seu lado, o que levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil. Em 4 de agosto de 1932, sob aclamação cívica, partia para Juquiá, os voluntários do Batalhão Redentor Filhos de Iguape, onde embarcariam no vapor Rio de Una, com destino a Cananeia, onde permaneceram por dois meses, para combater as forças de Getúlio Vargas lá instaladas. O Grupamento era composto por 41 voluntários Iguapenses e 17 jovens voluntários da cidade de Cananeia. Os revolucionários enfrentaram uma sangrenta batalha em favor da democracia brasileira, apesar da derrota de São Paulo, em 2 de outubro de 1932. Não foi registrada nenhuma baixa dos combatentes iguapenses.
A imagem do Bom Jesus de Iguape, após ser trazida da praia, foi levada à principal fonte do município, onde deveria ser lavada para remoção da areia e do sal. Em pouco tempo essa fonte se tornou destino dos peregrinos que iam à "Festa de Agosto" (inicialmente em louvor a Nossa Senhora das Neves) no final do mês de julho e início de agosto. Os romeiros, acreditando nos poderes milagrosos da pedra sobre a qual havia sido colocada a imagem para ser lavada, começaram a retirar-lhe lascas. Após séculos tendo lascas removidas, porém, a pedra continuava com o mesmo tamanho, dando origem à lenda da pedra que cresce.
Entre os dias 5 e 7 de agosto de 1949, o escritor franco-argelino Albert Camus (Nobel de Literatura em 1957), em visita ao Brasil, foi até Iguape conhecer a festa em louvor ao Senhor Bom Jesus de Iguape, acompanhado de Oswald de Andrade, Paul Silvestre, um adido cultural francês, e Rudá de Andrade, filho de Oswald, além do motorista. O grupo ficou hospedado em um quarto do hospital "Feliz Lembrança", haja vista, todos os hotéis estarem lotados. Dessa visita surgiu o conto -um tanto irônico- intitulado "La Pierre qui pousse" (A Pedra que brota), em seu livro O Exílio e o Reino, sobre um engenheiro francês d'Arrast em passagem por Iguape.
No local onde está a pedra que cresce foi construída uma pequena capela abobadada, popularmente chamada de Gruta do Senhor. No entorno dessa gruta foi construído um parque, com um pequeno bosque, uma lagoa com patos e carpas e um grande tanque antes usado para tratamento de água e atualmente serve de piscina pública. Esse parque atrai muitos turistas, especialmente no verão e na época da "Festa de Agosto". A alameda que hoje leva à gruta chama-se, apropriadamente, Albert Camus.
Findo o período do ouro de aluvião, em meados do séculos XVIII, Iguape enfrentou um curto período de decadência, que logo veio a acabar com o desenvolvimento da cultura do arroz. A partir daí Iguape iniciou um período de riqueza e atingiu seu ápice de desenvolvimento em meados do século XIX, com a construção dos principais casarões que ainda hoje podem ser vistos no centro histórico, com dois portos movimentados, teatros, quatro jornais diários e o vice-consulado português. Iguape havia se tornado uma dos principais do município do sul do Brasil, a ponto de, em 1841, o ainda adolescente imperador D. Pedro II ter concedido a Antônio da Silva Prado, político e senhor de terras, o título de Barão de Iguape.
Até meados do século XIX, Iguape sempre havia sido uma espécie de península, com o rio Ribeira de Iguape serpenteando até quase três quilômetros do mar e depois retornando para o interior, só encontrando sua foz muitos quilômetros adiante. O município situava-se entre esse ponto mais próximo do rio Ribeira de Iguape e o Mar Pequeno, tendo assim, dois portos: o Porto do Ribeira, fluvial, e o Porto de Iguape (conhecido por Porto Grande), no Mar Pequeno, grande braço de mar entre o continente e Ilha Comprida que liga Iguape ao Oceano Atlântico. Em 1852 a Câmara de Iguape informou ao Governo provincial a presença de 39 engenhos de arroz espalhados pelos rios da região, cuja capacidade de produção oscilava de 100 a 2.500 sacas de arroz por ano (média de 1.000 sacas). Já em 1861, esse número subiu para 120 de pilar arroz, 22 de moagem e destilação de aguardente e 4 de fabricar café, além de várias olarias. O Porto do Ribeira era utilizado para descarregar as sacas de arroz que vinham da zona rural. No local existia o maior engenho da região, o Engenho Central Casavecchia, inaugurado em 5 de dezembro de 1882, de propriedade do oficial da marinha mercante, Francisco Casavecchia e seu sócio, Carlos Tolomei. Dali eram transportadas as sacas de arroz em lombo de burro ou carroças por aproximadamente três quilômetros até o Porto Grande, onde eram embarcadas para exportação. O inconveniente de se ter de transportar o arroz por terra em um trecho tão curto, aliado à riqueza do município, levou à ideia e se construir um canal que ligasse o rio ao mar, permitindo assim o transporte direto do arroz até as embarcações de grande porte. Após décadas de debates sobre o melhor local para a construção do canal, decidiu-se pelo trecho mais curto, que era também o mais arenoso e, portanto, mais fácil de ser construído. Iguape se tornaria assim uma ilha, envolta pelo rio Ribeira e pelo Mar Pequeno. Essa decisão mais tarde se provaria errada.
O canal foi construído por escravos por mais de duas décadas e começou a ser utilizado em 1852. Inicialmente um canal estreito, com cerca de 4 metros de largura, onde em alguns trechos era possível saltar, o canal rapidamente começou a alargar, não resistindo à imensa corrente de água do rio Ribeira. O que era uma vala logo se transformou em um largo canal, engolindo tudo às suas margens. A certa altura se acreditou que a cidade inteira seria destruída por o que passou a se chamar Valo Grande. Felizmente, por volta de 1900, com a contenção das margens com pedras e a posterior construção de uma barragem onde antes era o Porto do Ribeira, permitiram o controle do fluxo de água no canal, de acordo com os estudos feitos pelos engenheiros, Sergio Sabóia, Martinho de Moraes e João Carlos Greenhalgh, salvando assim a cidade da destruição. O estrago, porém, estava feito. O Mar Pequeno ficou assoreado com a fluxo de água e lama trazido pelo rio, o que acabaria impedindo a entrada de navios grandes no porto. A vida marinha também sofreu muito devido à grande quantidade de água doce despejada pelo rio no Mar Pequeno, no que pode ser considerado um dos maiores desastres ecológicos do século XIX.
Iguape não foi destruída pelo Valo Grande, mas ficou com sequelas graves. Com a abertura desse canal, o Mar Pequeno acabou assoreando. Poucos anos depois, o porto marítimo da cidade já não podia ser utilizado por embarcações de maior calado, impedindo assim a saída do arroz por aquele porto e levando à virtual destruição da cultura de arroz da cidade. O atalho encontrado pelo rio Ribeira de Iguape através desse canal acabou influenciando fortemente o ciclo de cheias que inundavam a região periodicamente e que a tornavam tão fértil.
O Valo Grande, o declínio da cultura de arroz e sérios problemas políticos levaram à decadência do município no final do século XIX. De um importante centro agro-exportador, a cidade foi aos poucos perdendo importância. A partir da década de 1930 Iguape conseguiu iniciar um processo de recuperação, com o desenvolvimento da cultura de banana e da pesca, mas a falta de planejamento, associada aos problemas políticos locais que persistem há quase dois séculos, impediram que ela conseguisse retornar à opulência que um dia teve. Hoje a cidade tem um índice de desenvolvimento humano abaixo da média brasileira e vive da pesca e do turismo.
Iguape possui uma área de 1.980,916 km², sendo assim o maior município do estado de São Paulo em área. Abriga também as Áreas de Relevante Interesse Ecológico Ilha Ameixal, de 400 hectares, localizada no rio Una do Prelado, criada pelo Decreto n.º 91.889 de 05 de novembro de 1985, parte da Zona de Vida Silvestre - APA Federal Cananeia-Iguape-Peruíbe, criada pelo decreto n.º 90.347 de 23 de outubro de 1984 e complementada pelo decreto nº 91.892 de 06 novembro de 1985, e parte da ZVS - APA Ilha Comprida, criada pelo decreto n° 26.881, de 11 de março de 1987 e regulamentada pelo decreto n° 30.817, de 30 de novembro de 1989.
Dados do Censo - 2000
População total: 27.427
Densidade demográfica (hab./km²): 13,84
Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 22,10
Expectativa de vida (anos): 68,20
Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 3,00
Taxa de alfabetização: 90,18%
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,757
(Fonte: IPEADATA)
| Etnia | Percentagem |
|---|---|
| italianos | 47% |
| portugueses | 21% |
| franceses | 12% |
| japoneses | 11% |
| africanos | 7% |
| outros | 2% |
No final do século XIX e início do século XX, imigrantes vindos principalmente da Itália e do Japão chegaram a Iguape através de colônias implantadas pelo governo federal e estatual. A cidade ganhou assim uma marcante influência desses colonos, especialmente dos japoneses, que hoje respondem por mais de 10% da população da cidade e têm bastante influência na produção agrícola e na indústria pesqueira.
Através do decreto n. 6.455, de 19 de abril de 1907, o governo federal criou o Serviço de Povoamento do Solo Nacional (SPOV), devido à ineficácia alguns estados da federação em não possuir capital para criar e manter núcleos coloniais, ficou então determinado mediante o decreto n. 6.479 de 16 de maio de 1907, que a União poderia intervir no estado com relação aos assuntos de imigração e colonização, haja vista, a negativa do governo paulista em ceder terras nesta região, alegando questões econômicas e estratégicas. Houve a substituição por terras devolutas (50.000 hectares.), situadas no Vale do Ribeira, na época comarca de Iguape, cedidas oficialmente no ano de 1912 ao Tokyo Sindicate (Sindicato de Tóquio) representado por Ikutaro Ayoagui e que, um ano depois, veio se transformar na Brazil Takushoku Kaisha (Companhia Colonizadora do Brasil Ltda.), autorizada pelo decreto n° 10.248 de 2 de junho de 1913, a exercer suas atividades em solo brasileiro. As terras da região passaram a ser exploradas a partir de 1913, pela lei n° 43, de 21 de outubro de 1913, presente no Livro de Registro de Leis da Câmara Municipal de Iguape, a qual autoriza o prefeito, coronel Antônio Jeremias Muniz Junior, a adquirir o sítio Jipovura, para ser doado a Brazil Takushoku Kaisha, a fim de ali ser fundado um núcleo colonial, com objetivo de desenvolver a principal atividade econômica da região, o cultivo do arroz.
Dessa forma surgiram os núcleos coloniais de Registro, Sete Barras e Katsura (Jipovura) que formavam a Colônia de Iguape. Dentre estes núcleos destacava-se a Colônia de Katsura, criada em 9 de novembro de 1913, no bairro Jipovura, considerada o marco zero da colonização japonesa no Brasil. Inicialmente, a primeira comunidade foi chamada de Katsura Shokuminchi (Colônia Katsura), em homenagem ao Primeiro Ministro do Japão na época, Katsura Taro, um dos grandes incentivadores da imigração japonesa para o Brasil.
Após anos de prosperidade, a colônia acumulou infra-estrutura invejável para a época, havia escola, ambulatório médico, agência de correio, fábrica de beneficiamento de arroz, estabelecimentos comerciais, alojamentos para hospedar imigrantes, escola mista japonesa e brasileira, inclusive um porto, com viagens regulares dos barcos a vapor da Companhia de Navegação Fluvial Sul Paulista. A maior parte desta estrutura era financiada pelo capital japonês da Brazil Takushoku Kaisha. Por isso, a Lei Federal Nº 11.642, de 11 janeiro de 2008, decretou que o Município de Iguape é considerado o "Berço da Colonização Japonesa no Brasil".
Iguape é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
Atualmente, uma das principais atividades econômicas de Iguape é o turismo. O município possui diversas atrações, tendo a vantagem de ser histórico e com ar interiorano, mas com praias.
A Fonte do Senhor é um pequeno parque turístico pertencente ao Parque Floresta Municipal do Morro do Espia. Possui uma tranquila área de lazer com gramados e árvores da Mata Atlântica, diversas bicas e torneiras com água potável das cachoeiras, uma lagoa com patos e peixes ornamentais e um grande tanque, antes usado para tratamento de água e que atualmente serve de piscina pública. Esse parque foi criado ao redor da capela -mais conhecida como gruta- erguida em 1737, em pedra e cal, sobre a famosa pedra que cresce, onde a imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape foi lavada, no ano de 1647, após ser encontrada na Praia do Una, na Jureia. É a lenda da “pedra-que-cresce”, que intrigou até o grande escritor Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, ao visitar o município de Iguape no mês de agosto do ano de 1949, acompanhado de Oswald de Andrade, Paul Silvestre, adido cultural francês, e Rudá de Andrade, filho de Oswald, além do motorista, cujo nome não foi citado, mas que foi apelidado por Camus, de Augusto Comte, por parecer com o referido filósofo francês. Serviu por muitos anos para lavar roupas e abastecimento de água potável para a população da Vila de Iguape. Na época da festa do Bom Jesus de Iguape e no verão esse parque fica bastante movimentado por romeiros ou turistas que visitam o município. O parque é um dos pontos de partida para a Trilha Ecológica do Morro do Espia, com extensão de 2,8 km, dá acesso à Pedra Lisa e ao mirante do Cristo Redentor.
Iguape é parte do Complexo Estuarino-Lagunar do Mar Pequeno, também conhecido como Lagamar, que engloba os municípios de Iguape, Ilha Comprida, Cananeia e Pariquera-Açu, no Estado de São Paulo, e Paranaguá, no Paraná. É uma área muito rica em manguezais, que serve de berçário para várias espécies marinhas e por isso é considerada um dos cinco maiores criadouros marinhos do mundo. Suas lagunas à beira-mar com vegetação de restingas e Mata Atlântica, possuem uma deslumbrante fauna e flora, entre eles, estão guarás, biguás, garças, golfinhos, dezenas de espécies de aves marinhas, e animais exóticos, como o papagaio-de-cara-roxa, uma das aves que estão sob risco de extinção no planeta. Em toda a sua extensão, existem também inúmeros sítios arqueológicos, onde estão os Sambaqui, deixados por populações nômades e indígenas que habitavam o local há mais de 5 mil anos.
A cerca de 20 km do município está a foz do rio Ribeira de Iguape, região conhecida como barra do Ribeira, excelente local para pesca e esportes aquáticos e ecoturismo. Aos pouco a pequena vila de pescadores, que a cada ano recebia pessoas de todos os lugares, foi crescendo e se desenvolvendo, tornando-se num bairro, de cultura predominantemente caiçara. Um pouco mais para dentro do rio há um serviço de balsa da Dersa que liga a ilha de Iguape às praias da Jureia e do Prelado, pertencentes ao bairro Barra do Ribeira, ambas de acesso livre, totalizando 19 km de extensão e, a partir daí, à Estação Ecológica da Jureia-Itatins, uma unidade de conservação ambiental criada em 1986 e que atualmente é considerada a maior reserva de Mata Atlântica do Brasil, cujo acesso é restrito, somente permitido para fins de pesquisa e atividades de educação ambiental, junto a grupos organizados, acompanhado de monitores credenciados. Ao final do costão da Jureia está o início da Trilha do Imperador (ou do Telégrafo), construída a mando do imperador D. Pedro I, por onde passava, no século XIX, a linha de telégrafos que ligava o Rio de Janeiro ao Paraná, importante meio de comunicação do litoral do país.
Na Igreja do Rosário, está instalado o Museu da Arte Sacra, inaugurado em 1979, permaneceu por mais de duas décadas funcionando normalmente, enfrentou diversas fases, foi fechado, abandonado, sofreu deterioração e até furto de suas peças. Foi reinaugurado em 2006, e hoje possui em seu acervo permanente, 60 peças de arte sacra dos séculos XVIII e XIX, parte do acervo histórico da Igreja de Nossa Senhora das Neves e da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Entre as raridades, está um quadro em alto relevo, que traz a cena da Via Sacra, de procedência europeia. Há também pratarias, inclusive peças que compõe o Império do Divino Espírito Santo. O acervo todo, que chega a 180 objetos, tem procedência de várias igrejas do município, mas a maioria pertenceu a primeira Igreja Matriz de Iguape, construída em 1614 e demolida em 1858, para a construção da atual Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves, padroeiros de Iguape.
Iguape possui o maior casario colonial preservado do Estado de São Paulo, com diversas casas, casarões e igrejas em vielas estreitas de paralelepípedos. Nessas construções ricas em detalhes foram utilizadas técnicas como a taipa francesa e a taipa de pilão. As construções datam dos ciclos do ouro e do arroz, entre os séculos XVI e XIX, período em que Iguape viveu seu auge de desenvolvimento econômico. No dia 3 de dezembro de 2009, durante as comemorações dos seus 471 anos de sua fundação, o município recebeu o título de patrimônio nacional, com o tombamento de seu núcleo urbano, ou seja, o centro histórico, o antigo sistema portuário fluvial e marítimo, incluindo o Canal do Valo Grande e o Morro da Espia, além de diversas áreas da zona rural, relacionados com a imigração japonesa no Brasil.
Templo católico construído em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia, entre os séculos XVIII e XIX. Ali é possível observar várias imagens, entre elas as dos padroeiros do município, Nossa Senhora das Neves e Bom Jesus de Iguape. Na Basílica também é possível visitar a Sala dos Milagres, que possui objetos deixados pelos devotos em agradecimento a graças recebidas.
Com mais 50 metros de altitude, em um local privilegiado, o Parque Municipal do Morro do Espia, tem esse nome porque era usado por vigias que controlavam a entrada e saída de embarcações no porto e alertavam a população quando da chegada de piratas, através da Barra do Icapara, local onde ocorreu a batalha que ficou conhecida como Entrincheiramento de Iguape. Hoje esse ponto é muito visitado devido à visão panorâmica única do município e de todo o Complexo Estuarino-Lagunar, bem como da totalidade do Valo Grande, propiciando assim uma melhor compreensão sobre essa obra polêmica. Nesse ponto, exatamente onde havia uma grande cruz de madeira, levantada por José Gonçalves, existe uma réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, inaugurada em 10 de dezembro de 1953, obra do escultor José Rosasco.
Está localizada em um centenário casarão cedido pela Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), localizado no centro histórico de Iguape, foi restaurado pela própria fundação em 1989, onde foi criada a Base Urbana de Iguape. Exibe filmes sobre a região, serve de local de exposição do artesanato local e possui maquetes e painéis que exibem a diversidade ambiental do Lagamar. A maquete principal permite uma visão geral do Lagamar e de todo o relevo da região, incluindo as UCs (Unidades de Conservação) da região que abrange cerca de 70% do território do Vale do Ribeira. A sede abriga também o Centro de Interpretação Ambiental e Informação Turística que divulga o potencial natural e histórico-cultural da região do Lagamar, através de painéis explicativos sobre a Mata Atlântica preservada e seus habitantes.
O carnaval de Iguape é considerado um dos melhores carnavais de rua de São Paulo. Com diversos blocos que se apresentam na praça da Basílica e nela dão uma ou mais voltas (dependendo da quantidade de pessoas), entre os mais tradicionais estão, o bloco "Zé Pereira", sendo o carro-chefe que abre a folia do carnaval iguapense desde 1846; "Chaleira", fundado em 8 de janeiro de 1910; "Juritica", em fevereiro de 1960; "Banho da Dorotheia", em 16 de fevereiro de 1972 e o "Boi Tatá", em março de 1981. Essa festa chega a levar mais de 200 mil visitantes a Iguape.
Entre os dias 28 de julho e 6 da agosto, Iguape é tomada por peregrinos, também chamados de romeiros, que lotam a cidade para participar das missas e procissões em louvor aos padroeiros da cidade. A cidade recebe de 150 a 200 mil visitantes que lotam os hotéis e pousadas da região ou que acampam nas suas áreas livres. A cidade também é tomada por bancas de vendedores ambulantes e de comida, que aproveitam o grande movimento para faturar. Antigamente essas bancas eram elas próprias uma atração, visto que a cidade ficava muito isolada e vários produtos não chegavam até lá.
Os primeiros habitantes da região onde hoje fica Iguape são conhecidos como Homens do Sambaqui, povos muito primitivos que viveram ali antes da chegada de índios com culturas mais avançadas e que não conheciam sequer o arco e flecha. Sambaqui é o nome dado a grandes montes de conchas de ostras e marisco, depositadas ao longo de centenas ou talvez milhares e anos no mesmo lugar, e que eram consideradas como sendo locais mágicos. Mais tarde, após a extinção dos Homens de Sambaqui, os índios que viriam a dar origem à tribo Temiminé passaram a enterrar seus mortos nesses sambaquis, dentro de grandes potes de barro chamados igaçadas, juntamente com os pertences dos mortos. Existem vários sambaquis no complexo estuarino-lagunar de Iguape e Cananeia, sendo o de mais fácil acesso o sítio arqueológico "Benedito Fortes", onde está localizada a "Caverna do Ódio", próximo à ponte que dá acesso ao município de Ilha Comprida, a pouco mais de um quilômetro do centro da cidade. Até hoje encontram-se vestígios de ações destes grupos indígenas, representados através da estratigrafia que mostra a sobreposição de camadas correspondentes às diversas ocupações humanas, com a presença de manchas de carvão das fogueiras, sambaquis com até 5.000 anos, restos ósseos de peixes e de pequenos animais, e carapaças de moluscos e crustáceos.
Este museu está magnificamente restaurado e é o mais antigo edifício fazendário do Brasil. Originalmente onde funcionou a primeira casa de fundição de ouro do Brasil, atualmente ocupado pelo Museu Municipal de Iguape, criado através da Lei nº 12, de 23 de dezembro de 1906, depois de ter sido usado sucessivamente como cadeia, quartel e Casa da Câmara, podem ser encontrados diversos artefatos indígenas de antes da chegada dos europeus, como o Ídolo de Iguape, um busto de mais de 2500 anos, as cerâmicas igaçaba, encontradas nos sambaquis da região; objetos do período da escravidão no Brasil; prensas de impressão de jornais e insígnias da Revolução de 1932, em agradecimento pela participação dos iguapenses. Também se pode acompanhar, através de seu acervo, um histórico abrangente do período colonial e imperial brasileiro, entre eles, um Diploma de Honra, o qual premiou o arroz de Iguape como o melhor do mundo, em exposição internacional, realizada em 29 de abril de 1911, em Turim, Itália.
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