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Produtos Agrícolas
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Detalhes sobre a cidade de Três Ranchos
“A cada momento histórico cada elemento muda seu papel e a sua posição no sistema temporal e no sistema espacial e, a cada momento, o valor de cada qual deve ser tomado da sua relação com os demais elementos e com o todo”. Milton Santos (1985: 9) No processo de estabelecimento de novos aglomerados humanos no interior do Brasil, o pioneirismo enfrentou grandes dificuldades. O isolamento era certamente o maior estorvo, causando a necessidade de produzir a maior parte dos mantimentos, em vista da difícil importação de outras regiões. Benefícios hodiernos e triviais como a comunicação, a energia elétrica e tantos outros, há bem pouco tempo é que ficaram disponíveis à população de Três Ranchos. O aparelho de rádio, luxo incomum, servia para ouvir a notícia; transmiti-la daqui, porém, só através do telégrafo, meio de comunicação muito útil por um longo período da história do município, mas que só chegou quando veio a ferrovia, em meados do século XX, tempo em que as primeiras imagens de televisão já eram vistas nos grandes centros do país. Viajar era outra penúria: ia-se aonde ia o trem. Antes dele, somente a cavalo ou no carro-de-bois; a falta de estradas por aqui impedia a mobilidade dos veículos automotores que percorriam velozes o Brasil afora. Com o fim destas deficiências, aliado ao advento de novidades próprias do progresso nas últimas décadas, houve em Três Ranchos uma revolução, que alterou rapidamente os hábitos cotidianos das pessoas. Todavia, foi aquele isolamento – o que dificultava a circulação de informações e mercadorias – o mesmo que forçou a comunidade a ir se caracterizando em símbolos e valores culturais singulares, gradativamente apropriados do agregado imigratório oriundo das mais diversas partes do país. O conhecimento que se foi reunindo era essencial para extrair da terra a sobrevivência: a luz das candeias vinha do azeite da mamona, o açúcar mascavo da cana, toda sorte de alimentos e o seu beneficiamento, os tecidos, utensílios domésticos, praticamente tudo se produzia e se fazia numa fazenda daquela época. De quando em vez, a venda na corrutela era freqüentada em busca de sal e uma ou outra ferramenta. Hoje, sobreviver já não é mais o ofício tão custoso de antes: produtos que eram difíceis de obter a indústria passou a oferecer em série, renovados e inovados a cada minuto. No entanto, nesses tempos em que eventos e mercadorias são tantos e tão acessíveis quanto efêmeros, há o perigo do esquecimento do que aconteceu ontem, das lutas homéricas contra as dificuldades que os nossos ancestrais enfrentaram e das soluções que a alguém de hoje pareceriam inconcebíveis. É preciso conhecer e dar a importância devida a tais detalhes, pois somente assim é possível fazer uma completa tradução do que somos. Um dos momentos mais formidáveis do ser humano ocorre quando ele resgata a sua própria história e compreende como não está apartado da humanidade. Os Primeiros Tempos O estabelecimento do Distrito de Três Ranchos se deu através da Lei Municipal nº 24, de 19 de dezembro de 1948, e se consolidou “aos treis dias do mês de janeiro de mil novecentos e quarenta e nove, às treze horas” , conforme ata da solenidade na qual compareceram várias autoridades e moradores, interessados na constituição do novo município. Em 19 de outubro de 1953, através da Lei nº 823, decretada pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás e promulgada pelo então Governador Dr Pedro Ludovico Teixeira, o distrito de Três Ranchos foi desmembrado do Município de Catalão, para se tornar “município autônomo com a denominação de Paranaíba de Goiás”, ato que se consolidou em 1º de janeiro de 1955. A ata da sessão de instalação da primeira Câmara de Vereadores foi lavrada em 31 de janeiro de 1955. Embora as provas documentais da emancipação política do Município de Três Ranchos excedam a pouco mais de meio século, esta região já estava ocupada em épocas mais pretéritas. Primeiro pelos índios, cuja presença era contada por alguns pioneiros que encontravam cacos de panelas e potes de cerâmica enquanto aravam as terras para o plantio das roças. Estes índios eram provavelmente Caiapó, dizimados pelos constantes choques com o branco que entrou em território goiano em busca de ouro e da escravização dos índios desde os primórdios do século XVII. As entradas mais citadas, no entanto, são as ocorridas entre os anos 1712 e 1716, promovidas por Bartolomeu Bueno, que atravessou o Rio Paranaíba nas proximidades de onde está hoje a cidade de Três Ranchos. E assim como se fixou na região um espanhol, da Catalunha, membro de uma daquelas bandeiras (e que deu origem ao nome do vizinho município de Catalão, que abrangia o que hoje é o município de Três Ranchos) é de se imaginar que tenha havido por aqui também algum povoamento. Auguste de Saint-Hilaire, em sua “Viagem à Província de Goiás”, realizada no final da década de 1820, cita a “fazenda dos casados”, um aglomerado de propriedades formado pelos filhos do primeiro proprietário, que iam se casando e construindo suas moradias próximas à do pai; esta fazenda fica na atual região fronteiriça do município de Catalão com Três Ranchos, prova da ocupação da região àquela época. O documento mais antigo em que há citação ao nome de Três Ranchos data de 1876, uma procuração incluída no formal de partilha da Fazenda Fundos, uma das glebas que formariam o atual município de Três Ranchos, cujo proprietário era Joaquim Ignácio Carneiro – as outras duas maiores fazendas formadoras do município eram a Lagoa, também de Joaquim Ignácio Carneiro, e a Fazenda Sacco, de Cândido Vaz dos Reis. Mais que um certificado da existência de fazendas nessa região, àquela época, o formal de partilha da Fazenda Fundos atesta como o nome “Três Ranchos” já era utilizado no transcurso do século XIX. Outros registros importantes da ocupação da região nesse período são as velhas construções, como algumas sedes de fazendas – inclusive a que pertenceu a Cândido Vaz – cujos estilos e materiais utilizados atestam sua antiguidade, ou a Igreja de Nossa Senhora d’Abadia, erguida em 1882, hoje em ruínas, nas proximidades do atual sítio urbano, mandada construir pela Senhora Elpídia Carneiro, filha de Joaquim Ignácio Carneiro, devota de Nossa Senhora.
Mais detalhes sobre Três Ranchos
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