Detalhes sobre a cidade de Guairaçá
A região comumente chamada de noroeste, pertence ao espaço geográfico que WACHOWICZ (1995, p. 255), convencionou chamar de Norte Novíssimo.
FILIPAK (2002, p. 348), registra este verbete: Três Paranás.1 O eminente e saudoso historiador professor Dr. Ruy Christovam Wachowicz, na sua obra História do Paraná (6.ª edição), histórica e:etnicamente dividiu o Paraná em três Paranás. O Paraná 1 é o Paraná Tradicional, (…) O Paraná 2 é o norte do Paraná, com os seus três importantes:pólos. 1. – O Norte Pioneiro, (…) 2. O Norte Novo, (…) 3. O Norte Novíssimo, constituído pelos eixos Maringá-Paranavaí e Maringá-Umuarama, povoado:pelos migrantes paulistas, nordestinos e gaúchos entre os anos de 1947-1960 (…).
FERREIRA (1999 p. 73), apresenta a seguinte delimitação do Norte Novíssimo: "Região que se desdobra da linha traçada entre as cidades de Terra Rica e Terra Boa, até o curso do Rio Paraná, ultrapassando o Rio Ivaí e abarcando toda a margem direita do Rio Piquiri".
Grandes levas humanas, dirigiram-se para esta região paranaense, que ainda era recoberta por denso manto florestal.
Antigos moradores da região registram que, nessa época, era intensa a cantilena dos machados nas derrubadas de matas. Essas depois eram incendiadas, para, com pequenas providências mais, dar condições de plantio.
Vastas extensões do arenito caiuá em breve reverdeceriam com cafezais que iriam recobrir o território então explorado pela agricultura. Os municípios desta região tiveram um início similar. As coberturas naturais deram lugar principalmente à cultura do café que, por mais de duas décadas, foi um plantio quase exclusivo nesta região.
FERREIRA (1999, p. 76) informa que: Depois de Maringá, a cafeicultura distribuiu-se em três outras frentes, à procura de novas terras, pois nos nortes velho e novo já começavam a escassear as terras. Isso já nas décadas de 1940/50. No sentido de Paranavaí, caminhando até as barrancas do Rio Paraná, foi encontrado o obstáculo deste rio.
A ocupação do território em apreço desencadeou uma grande movimentação sócio-econômica. Temos em TOMAZI (1997, p. 232) que: (…) como a (re)ocupação2 completou-se com base na expansão da cafeicultura, gerando uma busca indiscriminada de novas terras para o plantio de novos cafezais. Neste processo, estiveram presentes, todos os setores interessados na venda/compra de terras. Como vendedores as antigas e novas companhias privadas de colonização, o governo estadual como colonizador, e os grandes fazendeiros, parcelando suas propriedades. Como compradores colonos, "formadores de cafezais" e até profissionais liberais e comerciantes de fora e da própria região.
É interessante observar que o plantio de café era conseqüência de um processo maior ou, noutros termos, estava em consonância com os rumos da macroeconomia brasileira de então.
Conforme afirma também TOMAZI (1997, p. 232): (…) do ponto de vista econômico de 1945 a 1955, com Gaspar Dutra e novamente com Getúlio Vargas como presidentes, o país procura industrializar-se, mas ainda mantém uma base agrária muito forte, pois a produção agropecuária ainda mantém sua supremacia no valor do Produto Interno Bruto.
A expansão da cultura cafeeira era sustentada pelos altos preços praticados no mercado internacional e por meio dos incentivos para o plantio iniciado no Paraná já na década de 40.
TOMAZI, (1997, p. 233), lembra que esses incentivos: (…) criaram, nos anos seguintes, e, principalmente, no final da década de 50 e 60, as grandes safras de café que nos anos de 1959/60 e 1962/3, produziram um total de aproximadamente 70 milhões de sacas de 60 kg e colocaram o estado como o maior produtor de café do Brasil.
A ocupação de toda a região noroeste se deu num prazo bem curto, devido à procura de terras para a expansão cafeeira. Mas, assim como foi rápida a ocupação, culminando com os anos de máxima produção de café no estado e no país, foi também rápido o declínio da cafeicultura.
Mais detalhes sobre Guairaçá