Detalhes sobre a cidade de Pejuçara
Por volta de 1810, já existia nas terras que hoje é o Município de Pejuçara uma geração muito grande de negros. Mas o primeiro estancieiro a adonar-se de terras dessa área foi Polucarpo José de Oliveira no ano de 1831, segundo consta no Cartório de Registro de Imóveis de Cruz Alta. Seis anos após, em 7 de julho de 1837, essa região passou a receber um grupo significativo de soldados escravos negros. Tudo se deve ao famoso combate dos Porongos, entre federalistas e farrapos, ocorrido na Fazenda Figueira, em Santa Bárbara. Esses soldados negros que participaram da luta ao lado dos farrapos que não tiveram sucesso, na fuga, seguiram as margens do rio Porongos, hoje Caxambu, embrenhando-se nas matarias em direção à Pedreira, Santa Apolônia e Vista Alegre e aí permanecendo até a chegada dos imigrantes italianos. O mapa confeccionado pela Independência de Cruz Alta, em 1920, identificava duas comunidades negras, uma a do campo dos Libertos, entre Linha Macuglia, Pedreira e Jacicema, nas terras possuídas pelo estancieiro Damas de Meira Collaço, e outra, na margem direita do Caxambu, área hoje pertencente à Panambi, o chamado Rincão dos Negros.
Habitaram também nesta área, índios, mas quando os imigrantes começaram a chegar, o governo os confinou em reservas. O que permaneceu da história destes índios é a origem do nome “Pejuçara”, que em tupi-guarani significa “caminho das palmeiras”. Os imigrantes italianos chegaram ao Brasil vindos da Europa em uma época de muita pobreza e desemprego naquele país, e a maior parte deles instalou-se no Estado do Rio Grande do Sul em Silveira Martins, formando a quarta colônia no Estado. O imigrante tinha esperanças de que esta colônia se transformasse em uma grande cidade e como isso não aconteceu, eles saíram à procura de um lugar melhor. Depois de vários dias de viagem a cavalo ou em carroças chegaram a Colônia Visconde de Rio Branco, hoje Pejuçara. Em maio de 1899 chegaram as duas primeiras famílias de italianos, que eram as famílias Loss e Vanzan que começaram a abrir as primeiras roças. No mesmo ano outras famílias também chegaram, Mastella, Zanetti, Becker, Ferretti, Razzia, Bresolin, Gianluppi, Bertoldo e Trevisan. De 1900 a 1930 chegaram diversas outras famílias de italianos. Os negros que estavam nesta área há vários anos, não souberam aproveitar as terras que haviam recebido. Os italianos que começaram a chegar nessa região aproveitaram-se da situação e foram ficando donos das terras. Os negros entregavam suas terras a troco de cachaça ou então vendiam seus direitos. Vendiam 54 hectares de terra por uma vaca de leite e assim por diante. Dessa forma os colonos foram ficando de donos das terras e os negros acabaram trabalhando de empregados ou foram embora. Após muitos anos de ocupação das terras, surgiu á lei do Usucapião e os italianos que estavam a mais ou menos 10 anos produzindo na terra, requereram escritura.
Foram diversas as denominações dadas à Colônia Italiana, região, hoje, do Município de Pejuçara:
Até 1898, denominava-se Mombuca;De 1899 a 1938, Colônia Visconde de Rio Branco;Em 31 de março de 1938, alterou o nome do Distrito “Visconde de Rio Branco” para “Rio Branco”;A partir de 28 de maio de 1943, passou a denominar-se de Morotim;Em 29 de dezembro de 1944, altera o nome para Pejuçara.
O distrito cresceu e se expandiu, surgindo as primeiras casas de comércio e com elas as mudanças econômicas e sócio-políticas. Esta expansão motivou a população a organizar um movimento emancipacionista em 1965, que resultou em plebiscito realizado no Distrito. Tendo este resultado positivo, a Assembleia Legislativa de Estado cria pela lei n° 5.156 de 15 de dezembro de 1965 o Município de Pejuçara. Mas só em 15 de maio de 1966 Pejuçara foi solenemente instalada a esta recebe Hildebrando Rodrigues Floriano como Interventor Federal. Passados dois anos o Município realiza sua primeira eleição, na qual Dary Bonamingo foi então eleito Prefeito. O Município mantém até hoje características de seus ancestrais, isto se verifica na religiosidade, nas festas, comidas típicas e na agricultura, principal economia do Município.[5]
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