Detalhes sobre a cidade de Santa Vitória do Palmar
O gentílico mergulhão
O gentílico "mergulhão" vem da semelhança de costume da população santa vitoriense, principalmente nos tempos antigos, com essa ave tão abundante na Planície Costeira do Rio Grande do Sul: da mesma maneira que a ave mergulha com seus filhotes ao perceber movimentação estranha, o santa vitoriense que vivia nas estâncias e fazendas, na imensidade dos campos sulinos, ao notar a aproximação de forasteiros, ao longe, em tempos onde era comum o banditismo, tentava proteger a família escondendo-a nos matos. Depois de identificada a visita, em sendo pessoas conhecidas ou de confiança, aos poucos iam aparecendo os moradores, dos mais velhos aos mais novos, começando pelo pai ou pela mãe, certificando-se, se era ou não, alguma patrulha ou corpo militar que estivesse recrutando soldados à força.
Hoje a maioria dos santa vitorienses gostam de serem identificados pelo gentílico mergulhão, principalmente quando longe do município, em outras cidades ou estados, mas até pouco tempo a palavra chegou a ter, para algumas pessoas, o mesmo significado de "bicho-do-mato", pessoa rude.
Em 1777, Portugueses e espanhóis celebraram o tratado de Santo Ildefonso, aonde estes, trocavam a colônia de sacramento pelas missões. Entre estes dois territórios ficou-se uma "faixa" sem dono. Esta zona seria aonde hoje este município (do Taim ao município do Chui) e naquela época foi chamado de Campos Neutrais, fazendo analogia a campos neutros, ou seja, nao pertencentes nem a espanhois nem a portugueses. Mas mais tarde foram passados para um dono no tratado de tordesilhas. Por este motivo e pela extrema proximidade com o Uruguai que nesta época concentravam-se muitos criminosos na regiao. As terras sem lei como eram chamados, já que não tinham "dono".
Geografia
Localizado no extremo meridional do Brasil a uma latitude 33º31'08" sul e a uma longitude 53º22'05" oeste, estando a uma altitude de 23 metros. Cedeu uma pequena parte de sua área ao Chuí, município instalado em 1997. Até então, Santa Vitória do Palmar era a cidade mais ao sul do Brasil, título que foi perdido para a nova cidade. Porém, o extremo sul geográfico do país - uma pequena curva do Arroio Chuí a cerca de 2,7 km de sua foz - não foi incluído no novo município e ainda pertence a Santa Vitória do Palmar. O mesmo vale para a foz desse rio, junto à Praia da Barra do Chuí, que é o extremo sul do litoral brasileiro.
O nome da cidade deriva de grande quantidade de palmeiras de butiá que havia na área, provavelmente semeadas por aves migratórias, que se abrigavam nos banhados junto à Lagoa Mirim. Ainda se encontram alguns palmares, mas foram na maioria devastados pelas plantações de arroz, que se intensificaram na região a partir da década de 1960, com mecanização intensiva. A área em território uruguaio, contígua à Lagoa Mirim, ainda apresenta palmares bem preservados.
A Lagoa Mirim é a maior lagoa do Estado do Rio Grande do Sul. A anteriormente considerada nesta condição era a Lagoa dos Patos, que hoje se sabe tratar-se de uma laguna. A Lagoa Mirim é palco de intensa atividade pesqueira e apresenta preciosas paisagens e um belíssimo por-do-sol. Há uma ligação entre a Lagoa Mirim e a Lagoa dos Patos, o canal ou rio São Gonçalo.
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