Detalhes sobre a cidade de Martinópolis
O município de Martinópolis, bem como a quase totalidade dos municípios do Oeste Paulista, tem como base o café e a ferrovia. Ambos foram os elementos responsáveis pelo surgimento dos núcleos urbanos e rurais em nossa região.
Ferrovia
Até a chegada da ferrovia, em 1917, o território era formado de matas e campos. A construção da ferrovia tinha a pretensão de abrir fronteiras, fazendo com que os grandes donos de fazendas fizessem o loteamento e a colonização. A ferrovia chegou em Martinópolis em 5 de agosto de 1917, embora naquela época não tivesse o nome atual. Era a estação José Theodoro, nome que homenageava um grande posseiro do Oeste Paulista que morreu em 1875. Na realidade, José Theodoro não possuiu terras em nosso atual território, suas posses iam até Conceição de Monte Alegre, vilarejo que fundou no final de sua vida, tendo falecido em 1875.
Os seus conterrâneos e parentes João da Silva Oliveira e Francisco de Paula Moraes é que tomaram posse de grandes glebas, no século 19, originando latifúndios que resultaram nas atuais fronteiras de Martinópolis.
Antes da ferrovia, na região só havia alguns índios esparsos, chamados de caingangues ou coroados. Outro fator de desbravamento da região, anterior à chegada da ferrovia, foi a abertura da Estrada Boiadeira, no ano de 1906, rumo ao Estado do Mato Grosso. Essa estrada passava a montante da cachoeira do rio Laranja Doce, onde muitos anos depois, em 1930 a Companhia Elétrica Caiuá construiu uma usina hidrelétrica, origem da represa que hoje é o cartão de visitas de nossa cidade. A estrada boiadeira foi construída pela firma Diederichsen & Tibiriçá, tendo como gerente Francisco Whitaker.
No entanto, o desbravamento real só chegou a partir do prolongamento dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, que em 1910 estava parado em Salto Grande, aguardando definição de seu trajeto. Em 5 de agosto de 1917 foi inaugurada a estação de José Teodoro, no meio da mata virgem. No início era um simples vagão de trem, colocado num desvio, que serviu de rancho aos construtores, comandados por José Giorgi.
Formação do município
Durante sete anos, ou seja, até 1924, nada havia ao redor da estação, a não ser a guarita do guarda-chaves e as casas dos ferroviários. Somente em 1924 o imigrante português João Gomes Martins, natural da Ilha da Madeira, que fazia importação e exportação de secos e molhados na cidade de São Paulo, resolveu investir no negócio de colonização de terras. No final de 1924 ele adquiriu 10.000 alqueires de uma propriedade desmembrada da grande Fazenda Montalvão, contratou agrimensores, fez o arruamento no local onde queria que surgisse o povoado, abriu estradas rurais e fez propaganda para quem quisesse adquirir terras a preço convidativos e em suaves prestações anuais.
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