Detalhes sobre a cidade de Sales
Fundação: 1944
Em 1912, trabalhavam na fazenda Barra Mansa, de propriedade de José Paulino Castilho de Oliveira, pai de Oliveiro, Waldemar e Noêmia Castilho, os senhores Joaquim Bentão, Manoel Bragança, Thiofilio Theodoro e Elizário José da Silva. No ano seguinte, chegaram Salomão Rodrigues Monteiro, Martiniano Paes de Oliveira, Ezau Ferreira Raisca e Roldão Pedro Nogueira.
Em 1917, Anna Cândida, conhecida por “Leopoldina”, mandou elaborar uma planta para a formação de um povoado, onde seria a futura cidade. O lugar recebeu o nome de Capoerinha e foi atraindo o povo que residia junto aos índios, às margens do córrego Barreiro do Meio. Este lugar recebeu o nome de Espraiada.
Vindo de uma cidade desconhecida, este povo encontrou-se com a tribo de índios e por ali ficou. Construiu casas de sapé e barrote, cobertas de folhas de coqueiro. Leopoldina foi ao encontro deste povo e o levou para Capoeirinha.
Joãoquim Bentão construiu uma casa de tijolos (tijolão feito de barro vermelho) e de madeira tirada do mato. Este homem era considerado um herói. Chegou por aqui depois de fazer picadas na densa floresta.
Havia muitas doenças na época, entre elas a “maleita”, que matava em dois dias de febre alta e intermitente.
Por volta de 1917, 1918, os guerreiros do Conde D’Eu, saídos da capital rumo ao Paraguai, passaram pela região. Fizeram picadas, conforme vestígios, atravessando rios por pinguelas, inclusive o Barra Mansa.
Derrubaram uma grande árvore que ligou as margens. Nessa passagem, ocorreu uma grande tragédia. Cinco pessoas, entre elas o padre que acompanhava a expedição, caíram no rio Barra Mansa e morreram afogadas. Foram sepultadas às margens do rio. O local recebeu o nome de “Cemitério dos Pimentas” e de “Poço do Padre”.
Tal expedição passou pelas cidades de Araraquara, Bela Vista das Pedras(hoje Itápolis), São José da Estiva, São José da Trindade (hoje Novo Horizonte).
Foram famílias desbravadoras de matas as de José Capitelli (que trabalhou de oleiro na lagoa de José Paião e João Barbosa), de João Correião, de Cezário José de Castilho, de Lázaro Tolentino de Oliveira, de Joaquim Ramalho, conhecido por “Lopinho”, de José Pracídio (ferreiro fabricante das cruzes do Cemitério dos Esquecidos. Pracídio se casou com uma filha dos chefes dos índios, batizada de Geralda no dia do casamento. O casal morou em Capoeirinha até 1936.
A tribo de índios encontrada às margens do rio Cervinho e Barreiro do Meio era da nação Guarani. Moravam em casas de sapé cobertas por folhas de bacuri. Essas famílias ali se organizaram e ali formaram Águas Espraiadas.
Dentro da mata, existe o “Cemitério dos Esquecidos”. Na sua entrada, do lado esquerdo, está sepultado um dos chefes indígenas. Além dos índios, foram enterrados moradores do lugarejo, como Belarmino Oliveira, Francisco Lima, Sebastião Pinto, José dos Santos e Joaquim Machado.
Os mortos eram transportados em carroças ou em bangüês (espécie de rede dependurada em um pedaço de madeira roliça, colocada nos ombros de duas pessoas). Os corpos eram enterrados envoltos nos próprios tecidos.
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