Detalhes sobre a cidade de Cedro de São João
Fundador: Antonio Nunes
Cedro formou-se de ciganos vindos de Minas Gerais. Depois de passarem pela Bahia e entrarem em Sergipe, um pequeno grupo se separou e foi viver em barracas armadas em Capela, comercializando produtos do Vale do Japaratuba (açúcar e mel) e do Vale do São Francisco (arroz, animais e peixe).
O grupo adquiria animais na fazenda Cemitério (hoje Aquidabã), e com esses animais descansavam em um terreno, onde hoje é a Praça Jonas Trindade, em Cedro. Na época da cheia do rio São Francisco, as terras rodeadas pelas águas, formavam quase uma ilha. Como se tratava de um lugar seguro, o líder do grupo Antônio Nunes, construiu um curral com a madeira Cedro.
Na Fazenda Cedro, nome originado de madeira abundante na região, existia em 1834 vinte casas de taipa, construídas para os vaqueiros. Pela Lei Provincial de 5 de março de 1835, o proprietário da Fazenda, Antônio Nunes, criou uma escola, posteriormente fechada, e que voltou a funcionar em 9 de Julho de 1872, sob a direção da professora Carolina Leopoldina Regina de Sá. A construção da capela de São João Batista, atual Matriz, tornou independente a povoação, da Freguesia de Santo Antônio de Propriá. A Lei Estadual nº 83, de 23 de Outubro de 1894 elevou o Povoado à categoria de Vila.
A partir do ano de 1894, passou a haver uma organização para separação política de Própria. Surgiram três engenhos no Vale do rio jacaré: Imbira, de Antônio Santana ; Poço dos Bois , de Antônio Soares, e o da Lagoa Seca de Antônio Baptista Nascimento, que colaboraram na formação da estrutura econômica.
Em 29 de outubro de 1901, Cedro retornou à condição de Povoado, pela Lei nº 422. Pouco depois, iniciava-se um movimento pela restauração do Município, tendo como principais líderes, Antônio Batista do Nascimento, João de Deus da Rocha, Manoel da Rocha e Antônio Santana
A Lei nº 1.015 de 4 de outubro de 1928, sancionada pelo Governador Manoel Dantas, elevou Cedro à Categoria de Vila e Sede do Município, desmembrado de Propriá, sendo instalada a Vila à 1º de Janeiro de 1929. O decreto nº 69 de 26 de março de 1938, anexou o termo à Comarca de Propriá. Pelo Decreto-Lei nº 533, de 7 de dezembro de 1944, o Município passa a ter o nome de Darcilena, mudando para Cedro de São João em 6 de Fevereiro de 1954, pela Lei Estadual nº 554, passando a contar com mais um Distrito de Paz, o de São Francisco. Depois, o Distrito de São Francisco foi desmembrado, tornando-se Município.
Atualmente, o município pertence judicialmente a sua própria comarca, formado pelos povoados Bananeiras, Batinga, Piçarreira, Cruzes e Poço dos Bois
As principais fontes de renda são: o artesanato, a carne do sol, o arroz, a piscicultura e a pecuária.
Os principais eventos são: a Festa do Padroeiro São João Batista, Festa da Carne-de-Sol e de Penitentes.
Ciganos, holandeses ou marranos em Cedro de São João *
As condições que deram origem a população da cidade de Cedro de São João, situada ao norte do estado de Sergipe, deixam dúvidas diante de uma análise histórica e ao mesmo tempo antropológica. Ou seja, em meio aos relatos e registros na historiografia já produzida sobre a origem do povo cedreiro várias indagações surgem a medida que é realizada uma análise mais criteriosa sobre este fato. Cabe lembrar, que Cedro de São João está numa região que faz parte do baixo São Francisco e que sua história está diretamente ligada à Propriá, principal cidade ribeirinha do lado sergipano. Anterior à sua independência, Cedro de São João pertencia à comarca de Propriá e, por conseguinte, sua história documental de outrora está entrelaçada com a comarca da época.
O estado de Sergipe, apesar da sua pequena área territorial possui uma história muito instigante, levando em consideração suas peculiaridades em cada região do estado, o qual apresenta características diferenciadas, principalmente no aspecto cultural. O município de Cedro de São João é possuidor de um povo com traços físicos mais próximos dos descendentes de peles claras, algo que predomina na cidade. Existira em Cedro de São João uma comunidade de origem holandesa, é possível a cidade ter sido colonizada por ciganos ou ainda, esse povo recebeu influência de marranos no período do seu povoamento?
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