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Detalhes sobre a cidade de Ibiraci

Ibiraci teve origem em um pequeno povoado, chamado Aterrado, à margem esquerda do Ribeirão do Ouro (onde hoje se encontra o Bairro da Santa Helena). Pequenos povoados ou grupos de casas feitas de barro, cobertas às vezes de capim , serviam de pouso para viajantes a caminho de outros lugares e de apoio para os garimpeiros que chegavam à região.

Documentos já se referem ao Aterrado desde 1763, pertencendo à Capitania de São Paulo, sendo que nesta época se reconhecia as divisas com Minas Gerais através de marcos colocados na Serra do Itambé, obedecendo a uma fronteira conhecida como Linha Tomaz Rubim, definida em 1749.

Em 1805, com a fundação de Franca, seu fundador, Cap. Hyppolito Antonio Pinheyro, construiu um Quartel de Guardas no Arraial do Aterrado, no lugar que hoje conhecemos como Fazenda Quartéis, para guardar a fronteira contra o avanço dos mineiros. Dois anos depois (1807), os mineiros construíram a pouca distância também um quartel, criando uma zona de permanente vigilância entre “os de Jacuhy e os de Franca”.

A região despertava o interesse dos mineiros por vários motivos: garimpos produtivos (Ribeirão do Ouro, Rio das Canoas, etc), pouso estratégico na estrada que levava ao Desemboque e a Goyaz e por fim, alguns mineiros influentes possuíam fazendas bastante grandes na região ( Guilherme de Barros Pedrozo, Padre José de Freitas, de Jacuhy, etc).

Por isto, no dia 12 de janeiro de 1816, o Capitão Felizardo Antunez Cintra, a mando da Câmara de Jacuhy, “deita abaixo” o quartel do Aterrado e avança os marcos 5 léguas (33 kms) dentro da Capitania de São Paulo, colocando-os às margens do rio Canoas.

Apesar dos protestos da Câmara de Mogi Mirim e da Freguezia da Franca, o próprio governador paulista, Conde de Palma, recomendou que não houvesse retaliação e sim tentativas diplomáticas e políticas para que Minas reconsiderasse a atitude. O governador mineiro, D. Manoel de Portugal e Castro afirmou ao governador de São Paulo que não havia autorizado a ocupação e inclusive oficia à Câmara de Jacuhy a que retorne os marcos aos lugares de origem, mas nada foi feito.

O comandante da ocupação, Cap. Felizardo Antunez Cintra passa então a residir no Arraial do Aterrado e em 1817 pede ao bispo de São Paulo ( pois a área estava pertencia eclesiasticamente à Diocese de São Paulo) autorização para erigir uma capela.

No dia 1 de outubro de 1824 é celebrada a primeira missa na Capela pelo Padre Manoel Coelho Vital. ( Obs.- com a exigência do Bispo D. Mattheus de Abreu Pereira, de que o templo fosse erigido em lugar alto, livre de umidade, etc, o povoado se espalhou também pela margem direita do Ribeirão do Ouro, ficando frente ao antigo Aterrado). A primeira Capela foi dedicada a Santa Maria Magdalena (talvez reminiscência do Quartel de Sta. Maria Magdalena na região de Caldas, de onde vieram os militares mineiros, quando da ocupação da região), por isto o nome do Arraial, agora uma Aplicação, consta em vários documentos como Santa Maria Magdalena do Aterrado, pertencendo nesta época ao Termo da Villa de São Carlos de Jacuhy.

Como na escritura de doação das terras para ereção da Capela, Dona Faustina Maria das Neves determina que a padroeira seja N.Sa.das Dores, na década de 1840/50, sob a orientação do Padre Fortunato José da Costa, acontece a mudança do orago e a partir de 28 de junho de 1850, passa a se chamar Freguesia de N.Sa. das Dores do Aterrado (parágrafo 2 º do artigo 1 º da Lei n o 497).

Pela lei n o 2784 de 22 de setembro de 1881 foi incorporado ao município de São Sebastião do Paraíso.

Pelo decreto n o 21, de 26 de fevereiro de 1890, foi incorporado ao município de Cássia.

Pela Lei 843 de 7 de setembro de 1923 é elevado a município com o nome de Ibiracy, compreendendo os distritos da sede e do Garimpo das Canoas (atual Claraval), o qual perde em 1953.

A instalação se dá a seis de abril de 1924 (data que é comemorada como o dia da cidade) e o nome Ibiracy foi dado por Basílio Magalhães (escritor e político encarregado pelo governo de alterar a toponímia dos distritos que eram emancipados através de uma visão nacionalista, procurando encontrar referências regionais e registrá-las em tupi guarani, por isto as informações sobre as “frondosas árvores da região” que recebeu levaram-no a juntar “ Ibira”, árvore, com “ cy” mãe ou terra).

Mais detalhes sobre Ibiraci

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