Detalhes sobre a cidade de Santo Antônio do Leverger
Santo Antonio do Rio Abaixo, primeira denominação deste município, teve a sua história marcada pela vinda dos bandeirantes paulistas, pela produção açucareira, e mais tarde, pelo turismo e pela pesca. Santo Antonio de Leverger é uma cidade centenária. A origem do seu nome deve-se a imagem do santo que fora deixada por uma das expedições paulista que percorriam as minas de Cuiabá, na primeira metade do século XVIII, ainda sob domínio português. A versão histórica que predominou , registra que em época de rio cheio, uma monção subia o Rio Cuiabá em direção as minas de ouro descobertas por Miguel Sutil. Esta foi atacada pelos índios do povo Guató, embarcações foram afundadas culminando em algumas vítimas fatais. Assombrados com o que havia ocorrido, pararam para pernoitar à beira do sangradouro. Na manhã seguinte, prontos para seguir viagem, um dos batelões fica preso, como se tivesse encalhado num banco de areia. Apesar de várias tentativas, os paulistas não conseguiram arrastar o batelão. A superstição tomou conta dos rudes canoeiros, como sugestão, retiraram vários pertences restando somente a imagem de Santo Antonio, mais nada conseguiram, até que foi dada a ordem de retirar a imagem do santo e a canoa deslizou mansamente rio abaixo. Mais tarde, outra monção que por ali passava tentou levar a imagem, e o prodígio se repetiu. No local foi erguida uma capela de palha. A pequena capela deu origem ao surgimento de uma pequena povoação de agricultores. Com o tempo, foi construída uma Igreja que tempo depois, deu lugar ao templo atual. A denominação da cidade passou por várias alterações até que por força da tradição do povo, que sempre venerou o santo milagreiro, alterou definitivamente para Santo Antonio de Leverger. A data de 13 de junho foi fixada por Lei municipal, como sendo o dia do aniversário da cidade em homenagem ao Santo padroeiro e, também, ao almirante Augusto Leverger, ilustre cidadão, que foi presidente da Província de Mato Grosso, e herói da Guerra do Paraguai. O território do município de Santo Antonio de Leverger foi desmembrado diretamente do município de Cuiabá, sob a denominação de Santo Antonio do Rio Abaixo.
O território do município é habitado, desde tempos imemoriais pelo povo indígena Bororo. Ainda hoje o município apresenta uma parte desse povo na Área Indígena Tereza Cristina. No tempo da história escrita, provavelmente datando dos anos de 1670 ou 1673, vêm as primeiras notícias de paulistas e bandeirantes de passagem pelo Rio Cuiabá. Manoel de Campos Bicudo teria subido o Rio até se confrontar com o morro da Canastra, hoje denominado São Jerônimo, na Chapada.
Pelas águas do Rio Cuiabá também sulcaram embarcações paulistas e, 1718, de Antonio Pires de Campos, paulista preador de índios do povo Bororo da barra do Rio Coxipó. Pelo Rio Cuiabá passou também Pascoal Moreira Cabral.
Em 1929, foi colhida uma versão da fundação da povoação de Santo Antonio do Rio Abaixo, versão contada por um homem centenário, mas lúcido. A versão se perdeu pelos tempos afora, coberta pela indiferença de gerações modernas, mais materialistas que as antigas. A versão foi a seguinte: Uma monção, no tempo do rio cheio, subia ao Rio Cuiabá, em demanda das minas de ouro descobertas por Miguel Sutil. A monção a duras penas vencia as águas barrentas do rio, pois fora vítima dos índios canoeiros do povo Guató, sendo afundadas algumas embarcações e mortos uns componentes.
As canoas sobradas da refraga penetraram certo entardecer por uma boca de água remansosa, à beira do sangradouro para pernoitar. Os paulistas, refeitos na manhã seguinte, aprontaram-se novamente para a labuta da viagem, quando um dos batelões fica preso, como se estivesse encalhado num banco de areia. Mesmo à força do remo, os paulistas não conseguiram arrastar o batelão. A superstição toma conta dos rudes canoeiros. Por sugestão de um deles, desembarcaram a imagem de Santo Antonio, que transportavam. O resultado não se fez esperar, pois o batelão se soltou e os paulistas puderam seguir viagem. Outra monção passou por aquele lugar e quis levar a imagem de Santo Antonio. O fenômeno de impedimento de viagem se repetiu. Os paulistas levantaram, então, uma primitiva capela, que não mais existe. A Igreja Matriz de Santo Antonio foi construída em estilo Barroco entre 1946-1948 sob coordenação do Frei Walfredo Staehle, mestre de obras, e em regime de mutirão. Em noites enluaradas, grupo de pessoas da comunidade, em ri timo de devoção, carregavam baldes de areia da praia para ser utilizada nesta construção. No dia 11 de junho de 1994 foi lançada uma campanha Pró-restauração da Igreja-Matriz.
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