Lavras do Sul - Rio Grande do Sul - Informações sobre a cidade

Município de Lavras do Sul
Ficheiro:City42.jpg
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário 9 de maio
Fundação 9 de maio de 1882 (128 anos)
Gentílico lavrense
Lema
Prefeito(a) Paulo Alcides Vidal de Souza (PP)
(2009 – 2012)
Localização

30° 48' 46" S 53° 53' 42" O30° 48' 46" S 53° 53' 42" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudoeste Rio-grandense IBGE/2008
Microrregião Campanha Meridional IBGE/2008
Região metropolitana
Municípios limítrofes Bagé, Dom Pedrito, Caçapava do Sul, São Gabriel, Santa Margarida do Sul, Vila Nova do Sul, São Sepé
Distância até a capital 320 km
Características geográficas
Área 2.599,811 km²
População 8.399 hab. est. IBGE/2009
Densidade 2,9 hab./km²
Altitude 277 m
Clima Subtropical Cfa
Fuso horário UTC(-3h)
Indicadores
IDH 0,772 médio PNUD/2000
PIB R$ 82.392 mil IBGE/2005
PIB per capita R$ 10.760,00 IBGE/2005

Lavras do Sul é um município do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Pertence à mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e à microrregião da Campanha Meridional.

É um município que conta com as águas do rio Camaquã. Faz divisa territorial com os municípios de Caçapava do Sul (L, NE), Bagé (SE), Dom Pedrito (O, S, SO), São Gabriel (N, NO) e Vila Nova do Sul, Santa Margarida do Sul e São Sepé (N)

Índice

Introdução

Localiza-se no Escudo Sul-Rio-grandense, apresentando um solo rochoso, de origem pré-cambriana, e rochas sedimentares. Apresenta terras que alcançam os 450 metros acima do nível do mar.

O território do município apresenta um divisor de águas entre as bacias do Rio Camaquã (que integra o sistema hidrográfico do Atlântico Sul ou Sudeste) e do Rio Santa Maria (integrante da Bacia do Rio Uruguai). O Arroio Camaquã das Lavras banha a sede municipal.

Apresenta vegetação variada ao longo de seu território, desde campos mistos com arbustos, até campos limpos e planícies onde se praticam a cultura do arroz, já na porção oeste do município, na divisa com Dom Pedrito.

Lavras do Sul possui cerca de 8 300 habitantes, segundo estimativas do IBGE, em 2008 e está distante 320 km da Capital gaúcha, Porto Alegre. As principais atividades econômicas do município são a mineração (que está praticamente desativada), a agropecuária, a agroindústria, o artesanato, o comércio e o turismo.

Possui um dos mais tradicionais carnavais do interior gaúcho, além de realizar diversos eventos o ano todo.

História

No fim do século XVIII já havia garimpagem na região. A tradição oral, sem que se tenha algum documento que comprove, conta que nos primórdios da mineração foi descoberta uma grande pepita de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, num remanso do arroio Camaquã, que hoje banha a cidade. Por essa razão aquela garimpagem recebeu o nome de Santo Antônio das Lavras ficando como padroeiro da localidade o milagroso santo.

Segundo a lenda, que pode ter dado origem a cidade, um garimpeiro teria achado uma pepita grande de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, as margens do arroio Camaquã das Lavras. Espalhada a notícia sobre a ocorrência desse mineral na região, muitos aventureiros perceberam a semelhança do solo local com as terras de Mato Grosso e Minas Gerais. Em 1796, a primeira descoberta de ouro em Lavras aconteceu, dando origem ao início da colonização do município e a exploração da mineração aurífera. Há registros de que o ouro do território onde hoje localiza-se o município foi explorado por europeus e canadenses. Embora o povoamento tenha se estabelecido em 1825, além dos ingleses e canadenses, belgas, espanhóis, portugueses, índios e bandeirantes paulistas já estavam na região, atraídos pela quantidade de ouro existente.

As disputas pelas terras conquistadas por Portugal e Espanha originaram tratados de limites como os de Madri e de Santo Ildefonso que tiveram suas linhas determinadas em documentos e posteriormente demarcadas, pois a linha do Tratado de Santo Ildefonso curiosamente faz uma curva sobre o território do município e as linhas dos dois tratados unem-se justamente sobre o território de Lavras, formando assim um vértice histórico.

A ocupação humana de Lavras do Sul iniciou-se através da mineração, da distribuição de terras (sesmarias), no século XVIII, e da colonização de diversas etnias, a partir do início do século XX, especialmente portugueses, espanhóis, latinos e negros.

Sua fundação ocorreu a 9 de maio de 1882, separando-se de Caçapava do Sul e Bagé. Em 1959, fazia parte dos 152 municípios gaúchos existentes até então (em 2009, são 496).

Lavras do Sul é o único município gaúcho com origem na extração de ouro, através de um acampamento mineiro situado às margens do arroio Camaquã da Lavras (um dos formadores do rio Camaquã, que desemboca na Laguna dos Patos) para a exploração das pepitas de ouro depositadas no leito do rio; antes disso, no entanto, há registros de que o ouro do território, onde hoje é o município, foi explorado por portugueses e espanhóis. Em função da descoberta e da busca de ouro, a região atraiu colonizadores portugueses, belgas e espanhóis no final do século XVIII. Com a exploração do mineral, formou-se um núcleo populacional, que deu origem a cidade, desmembrada originalmente das terras de Rio Grande e Rio Pardo. Emancipou-se de Caçapava do Sul em 9 de maio de 1882.

O nome do município deriva da divisão de glebas (lotes, terrenos) destinadas à mineração (lavra) do ouro. Ao nome "lavras" adicionou-se a expressão "do Sul", por já existir um município denominado Lavras, em Minas Gerais.

Geografia

Mapas de Lavras do Sul, elaborados por estudante do Ensino Médio, em sala de aula (abril de 2007)

Classificação regional e de localização

Lavras do Sul pode ser inserida, no que diz respeito à sua classificação regional (e para fins de localização), em diversas denominações: Alto Camaquã (microrregião da qual fazia parte nos anos 1980, segundo o IBGE), Sudoeste Rio-Grandense, Serra do Sudeste, Região Central, Pampa, Região da Campanha, Fronteira e Campanha Meridional (esta última é a atual classificação do IBGE).

Está distante da Capital gaúcha, Porto Alegre, 320 km (pela via rodoviária mais curta, BR-290, BR-392 e RS-357); em linha reta, situa-se a 290 km.

Coordenadas geográficas aproximadas

Hora local

Altitudes máximas do município

450 metros, nas serras que fazem divisa com São Gabriel e na porção norte.

Superfície

Lavras do Sul é o 22° maior município gaúcho em área, com cerca de 2.600 km². Divide-se em dois distritos: Sede, com 1.260 km², e Ibaré, com 1.340 km². Apresenta uma extensão dos extremos leste/oeste de mais de 140 km.

A superfície do município de Lavras corresponde a 0,9669% do Estado, 0,4613% da Região Sul do Brasil e 0,0306% do território brasileiro. coxinha

Geologia

Há no município a ocorrência de uma grande variedade de rochas, tanto ígneas (ou magmáticas; de origem vulcânica ou do interior da terra), quanto sedimentares (de origem de processos de decomposição de outras rochas) ou metamórficas (de origem em processos de transformação de rochas), dando-lhe a condição de uma região rica em recursos minerais. Podem ser encontradas rochas, como granitos gigantes, mármores, quartzos, basaltos, arenitos, entre outras. A região de Lavras está situada numa das fronteiras do Escudo Sul-Rio-grandense, na porção sudeste do RS, cujas rochas são de origem pré-cambriana, ou seja, do início da formação geológica da Terra. Muitos pesquisadores e geólogos brasileiros e estrangeiros vêm a Lavras para conferir de perto as riquezas minerais, além de realizar estudos, trabalhos de campo e análise da geologia de Lavras, que se diferencia da do resto do Estado por sua diversidade e riqueza mineral.

Embora se afirme que o ouro de Lavras se esgotou, alguns estudos e pesquisas constataram que no interior do município e abaixo do solo existem jazidas com ótimo potencial para exploração.

Lavras do Sul e Caçapava do Sul são as cidades mais importantes da Bacia do Neo-proterozóico, que compreende várias localidades do centro-sul do Estado. Nesta área, há a ocorrência de depósitos de minerais oriundos de formações vulcânicas e sedimentares da formação inicial da Terra, como cobre, ouro, zinco, prata e chumbo, sendo uma das regiões de maior concentração de minerais do Estado. Embora grandes quantidades de minérios já tenham sido extraídas ou esgotadas das minas dessa região, há, no subsolo, indícios, muitas vezes concretos, de novas jazidas minerais nos municípios e povoados integrantes dessa área.

A respeito das formações rochosas encontradas, não só em Lavras do Sul, como também no entorno do Município, podemos citar os exemplos do Granito Jaguari (formado há 507 milhões de anos) e o núcleo do Complexo Granítico de Lavras do Sul (de origem de 640 milhões de anos).

Topografia e relevo

A sede municipal de Lavras do Sul, situada a 277 metros de altitude, encontra-se no chamado Escudo Sul-Rio Grandense, mas a porção ocidental do município, chamada localmente de "fundo", assemelha-se mais com a Região da Campanha, com campos limpos, relevo mais plano e pouca vegetação. Grande parte do município apresenta elevações acima de 300 metros, podendo chegar a 440 metros em algumas pequenas serras, como a Serra do Batovi, a Coxilha do Tabuleiro e o Rincão do Inferno.

Vegetação

A vegetação é mais densa na porção leste e típica da Campanha na porção oeste. Podemos encontrar espécies variadas de plantas no território lavrense, desde as típicas da Campanha (com os capões de mato) até espécies que são residuais de outros biomas brasileiros (como os pinheiros e o cactus). No extremo oeste do município, podemos encontrar áreas de banhado e lavouras de arroz.

Hidrografia

Os principais rios são o arroio Camaquã das Lavras (que banha a sede municipal, e juntamente com os arroios do Jacques e do Hilário, formam o rio Camaquã), arroio Ivaró e arroio Santo Antônio, que desembocam no Rio Santa Maria, que banha uma pequena porção no extremo oeste do município, na divisa com Dom Pedrito.

O interior de Lavras do do Sul é um divisor natural de águas entre as sub-bacias dos rios Camaquã (Bacia do Atlântico Sudeste) e Santa Maria (Bacia do Rio Uruguai).

Outros exemplos de arroios encontrados em Lavras são: Tigres, Jaguari, Taquarembó (Bacia do Santa Maria); Maricá, Imbicuí, da Mantiqueira, Camaquã-Chico, América (Bacia do Camaquã).

Clima

O clima é subtropical úmido, com as quatro estações do ano bem definidas, verões e invernos bem rigorosos (no verão, as temperaturas podem chegar a 40°C, e no inverno, as médias são de 6°C a 12°C, podendo chegar facilmente a 0°C, com grande ocorrência de geadas). As chuvas são regularmente distribuídas o ano todo, embora possam ocorrer eventualmente períodos de estiagem.

Ficheiro:Vistadacidadedelavras2007.jpg
Vista do centro de Lavras do Sul (abril de 2008)

Zona urbana

A cidade originou-se de forma linear. No início, apresentava ruas somente na parte mais alta da cidade. No entanto, a partir da década de 1980, é que se deu uma grande expansão urbana, resultado do fenômeno do êxodo rural. Esse fato motivou o surgimento de novos bairros e vilas, como Cerrito, Renascença, Breno Bulcão (Militar), Vila Poty Medeiros e Vila da Olaria. A implantação do Balneário do Paredão foi outro fato importante para essa expansão, pois formou um núcleo populacional do lado oposto ao do arroio, dando origem à centenas de casas.

O curioso é que, apesar de o número de habitantes ter sido reduzido gradualmente (nos anos 1950, a cidade já chegou a ter 13 000 habitantes), Lavras do Sul apresenta uma área urbana com uma extensão bastante considerável.

A topografia da sede municipal não é uniforme: a partir da sede do município, olhando-se para o sul, na direção de Bagé, é possível distingüir claramente o relevo de coxilhas, com leves elevações e vegetação rasteira, característico da região da Campanha. Ao norte, diferentemente, nota-se o contraste da região montanhosa característica da micro-região da Serra do Sudeste, situada ao norte do município, até a divisa com Caçapava do Sul.

Todavia, na zona urbana do município prevalece o relevo de ondulações, com vias públicas íngremes, típico da Serra do Sudeste

Principais ruas: Pires Porto, Dr. João Bulcão, Adão Teixeira da Silveira, Coronel Meza, Avenida Coronel Galvão e Avenida 9 de Maio.

Zona rural

O interior do município de Lavras possui belas paisagens e lugares de grande beleza (como o Rincão do Inferno), além de diversos Hotéis-Fazenda, como a Fazenda do Sobrado, a Fazenda Pousada Serro Formoso, a Fazenda São Crispim e a Fazenda Quero-Quero, onde os turistas que lá visitam conhecem um pouco mais dos costumes da vida típica do campo, dentro de uma estrutura de uma típica fazenda do Pampa Gaúcho, a chamada estância.

Há grandes propriedades rurais ao longo do município, que executam atividades que vão desde a condução do gado de um local a outro (lidas), até a produção de doces típicos, como figada, marmelada e pessegada, além, é claro, da carne de ovelha e dos churrascos típicos, assados na vala. Outra peculiaridade das estâncias é a hospitalidade de seus moradores para com os visitantes.

Os costumes gaúchos são fortemente difundidos e preservados, como, por exemplo, nos trajes típicos dos peões (botas, bombachas), no andar a cavalo, nas comidas típicas, no sotaque, na hora da sesta após o almoço, no uso de fogão a lenha, no hábito de beber chimarrão etc. ).

Zoneamento ambiental do território lavrense

Meio ambiente

A poluição em Lavras se resume a um pequeno trecho do arroio Camaquã das Lavras, junto a área central da cidade. Não há poluição do ar, nem visual na cidade.

Fauna

A fauna de Lavras do Sul é bem diversificada, típica da região da Campanha Gaúcha. Além de uma grande quantidade de cães e gatos, podemos encontrar, dentro na zona urbana, animais como lebres, caturritas, sabiás, urubus, pica-paus, quero-queros, beija-flores, flamingos, rãs, sapos, escorpiões, cobras, aranhas, lagartos, corujas, bois, vacas, cavalos e diversas espécies de insetos (que podem ser vistos no verão, nas paredes das casas, com as luzes ligadas). Na zona rural, além desses animais anteriormente citados, podemos avistar exemplares de ovelha, cabra, touro, coelho, codorna, galinha, rã, cabra, maçanico (espécie de ave), papagaio, mulita (tatu), tartaruga, ema, veado, zorro (raposa), zorrilho (gambá), corvo, preá e peixes (carpas, tilápias), entre outros animais. Assim como em outros municípios das Serras do Sudeste, são encontradas espécies animais ameaçadas de extinção, tais como o papagaio-charão, o gato-mourisco, o bugio e o tamanduá-mirim.

Áreas verdes e de proteção ambiental

Não há oficialmente parques em Lavras, mas existe muito verde ao longo da cidade, sobretudo nas áreas um pouco mais distantes do centro.

Estudam-se projetos, por parte de diversas entidades, para a criação de unidades de conservação ambiental em diversas áreas da zona rural, consideradas de relevante interesse e preservação ecológica.

Morros no interior de Lavras do Sul

Demografia

Lavras do Sul, segundo dados do IBGE (publicados no jornal Zero Hora, em 2007), é o 196º município gaúcho em número de habitantes. Os principais grupos étnicos formadores da população lavrense são: franceses, bascos, portugueses, ingleses, espanhóis, latino-americanos e negros.

A população de Lavras representa cerca de 0,08% da população total do Rio Grande do Sul.(PNUD, 2001)

Dados básicos da demografia de Lavras do Sul

Composição populacional

Composição da população por sexo (IBGE, 2006): 3 882 homens e 4 143 mulheres. Composição da população por faixa etária (IBGE, 2006):

Densidade demográfica

Expectativa de vida (FEE-RS, 2000): 70,68 anos.

Taxa de mortalidade infantil (FEE-RS, 2006): 10,87/mil nascidos vivos.

Taxa de analfabetismo (FEE-RS, 2000): 12,16% (FEE-RS, 2000).

Composição étnica

Fonte: IBGE, dados de 2000.

Projeção mais recente de população

Segundo estimativas da FEE-RS, em 2008 a população de Lavras é de 8 254 habitantes, sendo que 3 137 vivem na zona rural e 5 117, na zona urbana.

Economia

As principais atividades econômicas de Lavras do Sul são a pecuária (ovinos e bovinos, para extração de couro e abate), comércio e serviços (mais de 200 estabelecimentos comerciais) e o turismo, praticado em pequena escala. A agricultura possui considerável importância, principalmente no que diz respeito ao plantio de soja e arroz. Existem, ainda, focos de fruticultura, em sua maioria em pequena escala.

Há décadas a mineração deixou de ser explorada, muito embora existam pesquisas indicando grandes jazidas de minério, como calcário e talco, localizadas no interior do município.

No que diz respeito à produção industrial, Lavras do Sul sofre com as dificuldades inerentes à metade sul do estado do Rio Grande do Sul. Há escassez de recursos enviados pelos governos federal e estadual, o que dificulta qualquer empreendimento na região. Atualmente, não há nenhuma indústria em atividade no município.

Setor primário

A pecuária e a agricultura lavrenses caracterizam-se por serem atividades com amplo espaço e potencial para desenvolvimento. Os bovinos e ovinos fazem Lavras abrigar um dos dez maiores rebanhos do RS nestas categorias de animais.

A agricultura, até então pouco desenvolvida, começa a tomar forma nos últimos anos, com a introdução dos cultivos de azeitona, frutas e da ampliação das plantações de trigo. Os banhados e terrenos planos do extremo oeste lavrense facilitam a lavoura de arroz.

Lavras do Sul tem cerca de 1 400 propriedades rurais em seu território. Não há significativos conflitos por posses de terras no Município.

Pecuária

Lista dos rebanhos pecuários e seus respectivos números de cabeças em Lavras do Sul (fonte: IBGE, 2005)

Produção de Leite, lã e ovos de galinha (1997)

No que diz respeito à estrutura fundiária (ou seja, a distribuição da extensão dos estabelecimentos rurais), Lavras possui 70% das propriedades rurais com mais de 500 hectares. Outros municípios da região, como Bagé e Dom Pedrito também possuem esses índices. Nas propriedades rurais do interior do município, desenvolve-se predominantemente a criação extensiva de ovinos e bovinos, para a extração de carne, couro e lã.

O município realiza constantes feiras de terneiros na primavera e no outono, e seu Sindicato Rural, localizado a cinco minutos do centro da cidade, na saída para o Ibaré, é modelo e referência na região da Campanha.

Agricultura

A agricultura é relativamente significativa no município, porém atende muito mais ao mercado interno do que à agroindústria e à exportação. Os principais cultivos são o arroz, a soja, o milho, o trigo e o amendoim. Existem, ainda, focos de fruticultura, na sua maioria em pequena escala, onde são praticadas culturas como pêssego, uva, laranja e figo. As plantações predominam no Segundo Distrito (Ibaré).

Lista da produção agrícola em Lavras do Sul (fonte: IBGE, 2005)

Terras agrícolas e silvicultura

Lavras do Sul, no que diz respeito às terras agrícolas e segundo dados de 2005 do IBGE, possui ainda as seguintes características:

Na área da silvicultura, o município produziu 936 m³ de lenha (IBGE, 2005). A Aracruz Celulose mantém, em Lavras, uma área de plantação de eucaliptos para a exportação de madeira e celulose.

Lida do gado, no Sindicato Rural (Expolavras 2008)

Dados econômicos

Número de empresas (2004):

Arrecadação de tributos (1998)

Arrecadação de impostos em 2009 (de 1°/01 a 1°/06)

Produto Interno Bruto (em US$)

Em 2007, o PIB per capita de Lavras do Sul estava estimado em R$ 3.809,80. Este número é baseado no valor total de bens e serviços produzidos pelo Município naquele ano (R$ 30.916.492,15), dividido pelo número total de habitantes (8 115).

Mineração e energia

O município de Lavras do Sul tem sua origem na extração do ouro. Nos séculos XVIII e XIX, exploradores europeus, canadenses e brasileiros de diversas regiões faziam a coleta das pepitas de ouro.

A região possui, embora dentro de seu subsolo e com baixa exploração, um grande potencial de recursos minerais. O ouro esgotou-se em meados dos anos 1980 e há algum tempo a mineração deixou de ser explorada. Porém, é comprovado que existem jazidas a serem exploradas em vários locais do subsolo do interior do município.

Minerais como granito, amianto, calcário, quartzo, pirita (variedade de ouro), talco e caulim, entre outros, podem ser encontrados no município.

A mineração em Lavras deu origem, ainda, ao padroeiro da cidade, Santo Antônio. Diz a lenda que uma das pepitas adquiridas às margens do Arroio Camaquã das Lavras apresentava em sua forma uma imagem de Santo Antônio.

Outra lenda que se propagou com relação a exploração aurífera em Lavras é a de que a Igreja Matriz de Santo Antônio, no centro, foi construída em cima de uma mina de ouro.

O ouro de Lavras do Sul pode ser associado ao granito rapikiwi (estilo de rocha), de origem vulcânica e pré-cambriana (início da formação da Terra).

A área de mineração de Lavras do Sul é de aproximadamente 60 km², tendo como locais mais importantes do desenvolvimento dessa atividade o Arroio do Jaques, São José da Itaoca, Vista Alegre, Cerrito e Volta Grande. Estes locais fazem parte da história da mineração no município.

Além disso, podemos citar diversas minas ao longo dessa área de mineração, a maioria desativadas ou com suas reservas auríferas esgotadas, tais como: Boa Vista, Bloco do Butiá, Umbu, Capororoca, do Castelhano, Guampa de Ferro, Lagoa Negra, Cerro do Tigre, Saraiva, Giloca, São José, Invernada da Cachoeira, Aurora, Dourada, Goiabeira, Saint Clément, Mato Feio, Lavadeiro, Chapéu de Ferro, Toca do Euzébio, do Rodeio, Cerro Rico, Merita, Sanga do Mata-Fome, Galeria do Monstro.

Lavras do Sul dispõe de uma ótima rede de energia elétrica, tanto urbana, como rural. Os blecautes (ou apagões) são difíceis de acontecer na cidade, o que garante energia por bastante tempo ao longo do ano.

Nas últimas décadas, a zona rural passou a receber as vantagens e confortos da eletricidade. Em 2005, a localidade da Meia Lua foi beneficiada com a instalação de eletrificação rural, através do programa Luz Para Todos, do Governo Federal, dando a oportunidade de melhor utilização de recursos agropecuários para 85 famílias da localidade.

Praticamente toda a sede municipal é iluminada com lâmpadas de mercúrio, que proporcionam boas condições de iluminação durante toda a noite, nas principais ruas.

O município de Lavras é atendido pela Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE).

Transportes

Rodovias

Depois de várias décadas com o acesso rodoviário a Caçapava e Porto Alegre sendo feito exclusivamente por estradas de chão, somente em 1990 este acesso foi asfaltado, após muita luta dos governos locais em relação ao Executivo Estadual. Todavia, a ligação com Bagé (continuação da RS-357 e RST-473) permanece sem asfalto. O asfaltamento dessas rodovias é um antigo sonho lavrense, pois possibilitaria um acesso mais rápido e econômico, uma melhoria do escoamento da produção agropecuária e de mineração e, assim, uma melhoria das condições de vida e de uma melhor integração com essa cidade, distante 81 km de Lavras, que é o maior centro urbano da região da Campanha, com cerca de 120 mil habitantes.

Lavras possui mais de 1 000 km de vias municipais. Para a Capital, as vias de acesso rodoviário a cidade são a RS-357, BR-392 e BR-290. Há linhas de ônibus todos os dias para cidades da região (Caçapava do Sul, Bagé, Dom Pedrito, Santa Maria, Cachoeira do Sul), bem como para a Capital do Estado. A estação rodoviária localiza-se no início da avenida Coronel Galvão, e abre em horários alternados.

Para a ligação do centro com o Uruguai (denominação local para o lado da cidade separado do centro pelo arroio Camaquã das Lavras), existem três pontes, apesar de uma delas ser considerada oficialmente apenas como um acesso. A maior ponte liga a avenida Coronel Galvão (próximo a Rodoviária) e a avenida Nove de Maio. Esta última é considerada a entrada oficial da cidade, com três pistas de paralelepípedos, embora muitos veículos optem por entrar ou sair da cidade por um acesso estreito, a dois quilômetros da entrada principal. Esse acesso é um pequeno trecho de terra que passa junto ao cemitério; as duas entradas têm ligação com a RS-357.

RS-357

Pela direção e sentido que ela percorre, é considerada uma rodovia diagonal. Liga a zona urbana de Caçapava do Sul ao entroncamento com a RST-473 (em trecho de estrada de chão), passando pela sede municipal de Lavras do Sul. Sua extensão total é de 90 km (61 de asfalto e 29 por terra, em direção ao sul - Bagé). É a ligação fundamental de Lavras do Sul com o resto do Estado.

A rodovia é o principal acesso a Pedra do Segredo, um dos mais importantes pontos turísticos de Caçapava do Sul; percorre o Passo do Seival (uma depressão situada a cerca de 150 metros de altitude). A RS-357 corta altitudes que variam entre 440 e 130 metros.

Foi pavimentada em 1990, após muita luta dos lavrenses e caçapavanos junto ao Executivo Estadual. Apresenta um movimento tranquilo de veículos, sem a ocorrência de congestionamentos. É administrada pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER).

Outras rodovias importantes

Demais meios de transporte

Hidrovias e aeroportos: Não há hidrovias, pelo fato de os rios e arroios serem pouco volumosos e apresentarem-se bastante encachoeirados e estreitos, sendo impróprios para a navegação. Em 1992, foi construído um pequeno aeroporto municipal, para aeronaves de pequeno porte, atualmente desativado.

Ferrovias: Há uma ferrovia em Lavras, que faz parte da antiga Linha Cacequi-Marítima, que liga Cacequi ao porto do Rio Grande. Até aos anos 1990, havia a circulação de trens de passageiros na linha. Hoje, apenas trens de carga utilizam essa ferrovia. Em Lavras, há três estações ferroviárias, inauguradas por volta de 1900, mas que estão atualmente desativadas: Ibaré, João Câncio e Três Estradas. O trecho ferroviário lavrense tem cerca de 60 km.

Ônibus e táxis: Não há linhas de transporte coletivo na zona urbana, apenas transporte escolar e periódico (como vans que ligam a Praça Licínio Cardoso à Expolavras, em meados de novembro). Existem cerca de 20 táxis na cidade, além de três pontos principais, na Praça Licinio Cardoso, na Praça das Bandeiras e na Cel. Galvão, próximo a Rodoviária.

Caronas: Ocorre muito entre os habitantes a oferta de caronas em carros particulares para deslocamento, inclusive às pessoas de fora da cidade, face às inúmeras "lombas" existentes.

Comunicações

A televisão, juntamente com o rádio e, mais recentemente, a internet, são os meios de comunicação mais utilizados pelos lavrenses.

Vamos conhecer, a seguir, as características dos meios de comunicação em Lavras do Sul.

Jornais: Ao longo do século XX, Lavras já teve diversos jornais em circulação, como O Garimpeiro, O Batovi, a Thesoura, O Lavrense, O Colibri e Quero-Quero. Nas últimas décadas do século XX, a cidade carecia de publicações próprias, o que fez com que as notícias sobre Lavras fossem publicadas em jornais de Caçapava do Sul. Recentemente, em 2007, três jornais eram publicados na cidade, mas, em meados de 2008, dois deles já saíram de circulação: Tribuna do Povo, que era o maior e circulava semanalmente, e City Bar, mensal, que estampava fotos de garotas da cidade, além de divulgar eventos e anúncios de empresas do município. Existe ainda a distribuição de importantes jornais da região e do Estado na cidade, como o Jornal de Caçapava, Diário de Santa Maria, Zero Hora, Correio do Povo e Jornal do Comércio. No ano de 2008, foi extinto o Diário de Lavras (diário e de formato pequeno, com piadas, horóscopo e outras informações, sempre com quatro páginas). Em abril de 2009, foi lançado o semanário Ronda Lavrense, pela jornalista Maria Julia Silveira, retomando assim a atividade jornalística no Município.

Rádio: A cidade possui três rádios FM (101.7 FM, 104 FM e Pepita [89,7 MHz]). Esta última lançou um site na internet no ano de 2008, porém sem transmissão ao vivo, e é a mais antiga – fundada há mais de 20 anos. Apresentam uma programacao musical variada, com estilos que vao desde o rock, até pagode, passando por MPB, Tche Music, Funk e, ainda, a música gospel. Todas as estações transmitem muita música e informação para comunidade do Município, com coberturas e transmissões especiais em eventos como o Carnaval e as Eleições. As três rádios, juntamente com o Diário de Lavras, são os únicos meios de comunicação genuinamente lavrenses (ou seja, com sede na própria cidade).

Revistas: Não há publicação própria de revistas no município. As vendas de revistas de circulação nacional são pouco significativas, pois não há uma grande demanda das mesmas na cidade. Alguns lavrenses assinam revistas femininas e de celebridades, como Cláudia e Caras.

Televisão: As emissoras de televisão aberta sintonizadas em Lavras são: RBS TV Santa Maria (a foto acima representa um comercial local da mesma) e Record (via satélite); a TV por assinatura também se faz presente, através da SKY e da TECSAT. Lavras passou a contar com sinais de televisão em meados dos anos 1970, mas ela só se consagrou em 1988, mais ou menos na mesma época do surgimento da Pepita FM, com o início das transmissões via satélite, através de tres torres, próximas a vila da Olaria, repetindo os sinais do SBT e da extinta TV Manchete, que passaram a fazer companhia a TV Gaúcha (atual RBS TV Santa Maria, afiliada da Rede Globo), que foi a primeira retransmissora de TV da cidade. Atualmente, são repetidos os sinais da Record (via satélite, do centro do País) e da RBS TV Santa Maria, que é o canal de maior audiência na cidade. Não há produção própria de programas de TV. No entanto, a RBS TV Santa Maria produz e exibe esporadicamente reportagens sobre a cidade. Em muitas casas, devido a pouca variedade de canais abertos, podem-se encontrar antenas parabólicas. Não há TV a cabo na cidade, mas a TV por assinatura é representada pela TECSAT e pela SKY, através de antenas e decodificadores especiais.

Telefonia fixa: A empresa que provém, com exclusividade, serviços de telefonia fixa em Lavras do Sul é a Brasil Telecom. O código de área de Lavras é 55; Em 2006, estavam cadastrados 1 117 terminais telefônicos. A telefonia fixa existe na cidade desde os anos 1970. Com o grande avanço das telecomunicações ocorrido nas últimas décadas e a expansão do setor, hoje é possível fazer uma ligação telefônica de Lavras para qualquer lugar do mundo.

A sede municipal possui cerca de 40 telefones públicos, espalhados em diversos pontos do centro e arredores, além de locais como a Prefeitura, escolas e praças.

Telefonia celular: O telefone celular é outro elemento muito popular e fundamental na cidade: até mesmo pessoas de baixa renda possuem pelo menos um celular habilitado, ainda que seja pré-pago. As operadoras de telefonia móvel em atividade no Município são a Vivo, Claro e TIM.

Internet: A internet, em Lavras, pode ser acessada através de linha discada e banda larga, pelo provedor Farrapo, de Caçapava, ou por outros provedores. Um dos maiores fenômenos da comunicação lavrense nos últimos anos, sem dúvida, foi a popularização da internet. Com a expansão da banda larga via rádio, e mesmo para os usuários de acesso discado, qualquer habitante hoje, não importa a idade ou condição social, possui uma página no Orkut (o mais popular site de relacionamentos da internet no Brasil) e um MSN, para bate-papo. As crianças e adolescentes são as faixas etárias que mais utilizam os recursos de Orkut e MSN. Colegas e amigos(as) dedicam várias horas do dia para sua comunicação, seja para trocar idéias, homenagear e cultivar suas amizades ou, até mesmo, namorar.

Correios: Há uma agência dos Correios na rua Dr. João Bulcão, fazendo com que a cidade conte com serviço postal interligado com o Brasil e o Mundo. O distrito do Ibaré também conta com uma agência.

Os Códigos de Endereçamento Postal (CEP's) do Município são:

Saneamento básico

No ano 2000, segundo dados do IBGE, Lavras do Sul apresentava 2 444 economias (ligações de água potável) registrados, sendo que 2 171 eram residenciais, e 273, variados.

Ainda, segundo a mesma fonte, o Município tem 2 411 ligações de água, 898 delas ligações com hidrometro (aparelho que mede o consumo de água).

Em 1991 (segundo as Nações Unidas, a partir das pesquisas de desenvolvimento humano realizadas no Brasil), 74,6% da população lavrense tinha acesso a água; em 2000, o índice já alcançava 90,7%.

A rede distribuidora de água, no ano 2000, era de 32 km de extensão. O volume de água distribuído por dia é, segundo o IBGE (2000), de 1 402 m³ (metros cúbicos) por dia.

Na atualidade, mais famílias, tanto na zona urbana quanto na rural, estão tendo acesso ao abastecimento de água, graças aos constantes programas de extensão e abastecimento de água de diversas comunidades, realizados pela Prefeitura Municipal e pela Secretaria Municipal de Obras e Saneamento.

A água oferecida no Município é de boa qualidade e própria para consumo. A Companhia Estadual de Saneamento é a responsável pela distribuição de água e tratamento de esgoto em Lavras.

A coleta de lixo é realizada pelo menos tres vezes por semana na zona urbana, onde 94,7% dos domicílios são atendidos. Em 1991, esse número era de 86,8%.

Distância de Lavras a algumas cidades

Há apenas um pequeno trecho ferroviário que passa pelo interior do município (no distrito de Ibaré, a 50 km da sede municipal). Em 1992, foi construído um pequeno aeroporto municipal, para aeronaves de pequeno porte, atualmente desativado. Não há linhas de transporte coletivo na zona urbana, apenas transporte escolar. O trânsito é tranqüilo, sem congestionamentos, apenas um razoável movimento nas vias centrais.

Estatísticas gerais

Lavras do Sul apresenta as estatísticas a seguir.

Em 1991, 64,95% dos estudantes lavrenses frequentavam a escola, número que subiu consideravelmente em 2000, alcançando o patamar de 86,32%. Em 1991, 81,64% da população era alfabetizada. Em 2000, este número chegou a 87,84%. Na atualidade, os indicadores educacionais do município são satisfatórios.

Nas décadas de 1980 e 1990, os brasileiros, sobretudo os de baixa renda, passaram a ter mais acesso a bens e produtos domésticos, de vestuário, alimentícios, móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Lavras apresenta grande disponibilidade de compra e venda de produtos e serviços há mais de 20 anos. O acesso aos bens de consumo pela população de massa, porém, se consolidou nos Anos 1990.

Em 2000, Lavras apresentava os seguintes índices sobre bens de consumo no total de domicílios:

Segundo dados de 2000, 36,36% dos lavrenses possuem pelo menos três desses itens citados na lista em seu domicílio.

A coleta de lixo em Lavras chega para 94,67% dos domicílios em 2000, contra 86,84% em 1991.

As facilidades para o acesso a linhas de telefone fixo, oferecidas no final da década de 90, bem como as mudanças ocorridas no setor de telefonia fixa nesse período, foram os fatores determinantes para um aumento de quase 200% no índice de domicílios com um aparelho telefônico em Lavras (de 6,68% em 1991, para 17,25% no ano 2000). Possivelmente, em 2009, mais de 30% das residências lavrenses possuem telefone.

No ano 2000, 72,20% dos habitantes vivem em domicílios e terrenos próprios e quitados (totalmente pagos), e 14,29% dos lavrenses vivem em residências que apresentam uma densidade além de duas pessoas por dormitório.

A população urbana de Lavras do Sul apresenta mais de 5 mil habitantes em 2009 (mais de 60% do total). Em 2000, eram 4 828 habitantes e, em 1991, 4 812. Na zona rural, são menos de 3 mil em 2009; em 1991, 4 018 lavrenses vivam no campo, número que caiu para 3 281 pessoas em 2000.

A taxa de urbanização cresceu 9,25% de 1991 para 2000 (54,50% para 59,54%, respectivamente). A população de Lavras representa 0,08 do total do RS.

Em 2000, mais de 10% das mulheres de Lavras tornavam-se mães antes dos 20 anos de idade. Na atualidade, uma parcela considerável das mulheres lavrenses já teve filhos antes dos 30 anos. A expectativa de vida ultrapassa 70% na década de 2000 (70,67% para ser mais exato); em 1991, estimava-se que um lavrense, em média, pudesse viver um pouco mais de 65 anos. A taxa de fecundidade se mantém estável (2,8 filhos por mulher em 1991 e na virada do milenio).

A mortalidade infantil (mortes até 1 ano de idade por 1000 nascidos vivos) caiu de 31,2% em 91, para 19,8% em 2000. Em 2006, o índice caiu ainda mais: 10,87%. A queda acentuada nesses índices se dá pela melhoria das condições de saúde do município, da qualidade de vida dos moradores e da intensificação dos diversos programas de saúde.

Assim como a maior parte do Brasil, Lavras apresenta grande desigualdades de renda entre a sua população. Se em 1991, os 10% mais ricos da população lavrense concentravam 53,04% da renda apropriada, esse número, em 2000, caiu para 45,87%. Entretanto, é bom salientarmos que os 20% mais ricos detém, no ano 2000, 62,3% da renda total. Os 20% mais pobres tem apenas 3,2% da renda apropriada no ano 2000 (índice que, em 91, era ainda menor: 2,9%).

Os 80% mais pobres da população detinham, em 1991, 30,79% da renda. Em 2000, eram 37,71%.

A renda per capita média por habitante era, em 91, de R$ 199,00. Em 2000, chegou a R$ 232,70.

Resumo de alguns dados fundamentais sobre Lavras do Sul

Religião

A população do município é predominantemente católica, mas existem significativas comunidades de evangélicos e espíritas kardecistas. O padroeiro da cidade é Santo Antônio, comemorado em 13 de junho (feriado municipal).

O principal templo religioso da cidade é a igreja Matriz de Santo Antônio, que foi erguida em um importante ponto antigo de mineração do ouro. Foi construída em estilo gótico no final do século XVIII e passou por sua última reforma em 1999. Atualmente, apresenta tons em azul e amarelo. Localiza-se junto à praça Licínio Cardoso, na esquina das ruas Santo Antônio e Pires Porto.

Há diversas igrejas evangélicas pentecostais na cidade, das mais diversas correntes.

Representatividade das religiões em Lavras do Sul (por número de praticantes) - ano 2000:

Saúde

A cidade dispõe de um hospital (Fundação Hospitalar Dr. Honor Teixeira da Costa, com 36 leitos) e alguns postos de saúde (um central, um periférico e um no Ibaré). O hospital tem uma estrutura básica para atendimento, porém precária, principalmente para casos mais graves, sendo necessária a transferência dos pacientes para municípios vizinhos ou até mesmo para Porto Alegre.

Entretanto, nos últimos anos a Prefeitura Municipal está realizando grandes melhorias nesta área, como a aquisição de novas ambulâncias. Além disso, há o trabalho comunitário por parte de agentes de saúde, que realizam assistência a gestantes, nutrição das crianças e saúde preventiva.

Não há a ocorrência de grandes epidemias, nem surtos de doenças. Todavia, no início de 2009, surgiu o temor da febre amarela, devido a casos registrados em municípios vizinhos. Felizmente, até abril de 2009, nenhum caso da doença foi registrado no Município. Há uma forte mobilização da comunidade e da Secretaria Municipal da Saúde, a fim de alertar a todos sobre os riscos desta doença, além de mantê-la longe do território lavrense e promover a vacinação geral da população.

Apesar das limitações do sistema de saúde, o fato da cidade ser tranqüila, a população alimentar-se bem e não sofrer problemas de estresse faz do lavrense um indivíduo saudável. Lavras é uma cidade onde há uma grande quantidade de idosos: muitos chegam facilmente aos 75 anos de idade.

Em 2006, todas as crianças de até um ano de idade de Lavras do Sul foram vacinadas contra diversas doenças. Este número supera a média do Rio Grande do Sul, que é de 95,13%.

Lavras apresenta um significativo índice de partos realizados em mães menores de 25 anos. A qualidade de vida da grande maioria das crianças lavrense é bastante satisfatória.

Dados sobre saúde (IBGE, décadas de 1980, 1990 e 2000):

Índices de mortalidade por ocorrência (número de pessoas):

Mortalidade infantil no final do século XX (por mil nascidos vivos):

Em 2007, o coeficiente de Mortalidade Infantil era de 10,31 por mil nascidos vivos.

Turismo, lazer e eventos

Lavras do Sul, ainda que tenha algumas dificuldades, apresenta um bom potencial turístico. A grande maioria dos turistas são oriundos de cidades vizinhas, do Interior do Estado ou, em números menores, porém significativos, pessoas vindas de Porto Alegre. Boa parte dos turistas possuem família na cidade, mas há uma grande movimentação de turistas da região, sobretudo nos meses de verão, para passarem as férias no Balneário do Paredão ou passar o Carnaval.

Principais atrações turísticas

Áreas de lazer

Não há parques em Lavras do Sul, oficialmente, mas existe muito verde ao longo da cidade.

Datas dos principais eventos e feriados municipais

Carnaval

Sem dúvida, o mais importante evento lavrense, capaz de mobilizar toda a comunidade. É considerado o maior carnaval da Região da Campanha e um dos maiores do Interior do Estado. A folia dura seis dias, da sexta-feira à Quarta-feira de Cinzas, sendo realizados diversos bailes infantis e adultos, sobretudo na Praça Licínio Cardoso e no Clube Comercial. Possui duas escolas de samba (Os Filhos do Sol é a mais representativa) e diversos blocos carnavalescos.

A partir do Ano Novo, durante o verão e até a Quarta-feira de Cinzas, são realizados mais de 100 eventos alusivos apenas a essa data na cidade. Os churrascos dos blocos no interior do município e o uso de camisetas dos blocos são duas tradições que não podem faltar no Carnaval lavrense.

Principais blocos carnavalescos de Lavras do Sul

Atualidade (2009)

Blocos carnavalescos extintos

Todos os blocos abaixo já marcaram sua história na folia lavrense. Os mais antigos, que sao os primeiros da lista, foram extintos e seus membros remanejados para o VG e o Relaxados.

Entre os mais recentes, o Bet-Buc foi o mais significativo, chegando a ser um saudável rival do Vira-Lata, entre 1988 (ano de fundaçao) e o final da década de 1990.

Escolas de samba (em atividade, 2008):

Cultura

O lavrense é, com certeza, um apaixonado por sua terra. Mesmo morando distante, não perde orgulho de ter nascido nessa terra.

A cultura gaúcha está muito presente nos hábitos e costumes do povo de Lavras. O hábito de andar a cavalo, o consumo de carne de ovelha, a sesta após o almoço e os bailes do CTG Lanceiros do Batovi são alguns exemplos que ilustram esta afirmação. Além disso, o lavrense possui um sotaque característico que o diferencia de outras regiões do Estado, utilizando um "e" carregado (exemplo: "Eu sou 'dê' Lavras", "Tudo 'dê' bom para ti"). Esses fatos estão ligado à influência da colonização espanhola na região.

As atividades culturais teatrais, de cinema e artísticas acontecem esporadicamente, já que não há um local destinado a esses eventos. No início dos anos 2000, foram realizados eventos como a apresentação da peça "Rádio Esmeralda" e a exibição, na Praça Licínio Cardoso, do curta-metragem "Melancia e Coco Verde", produzido pela TVE-RS e totalmente rodado no município. O circo argentino Bremer passou pela cidade, em 2005, fazendo grande sucesso entre as crianças.

O principal centro cultural da cidade é a Casa de Cultura José Néri da Silveira, que conta com museu, biblioteca e exposições com fotografias e objetos antigos que contam a história de Lavras.

Há constantes shows de artistas regionais nas casas noturnas da cidade, além da cidade ser local de estadia do grande poeta lavrense: Gujo Teixeira.

Lavras do Sul é a terra natal do ator da Rede Globo, Paulo José, que atualmente vive no Rio de Janeiro.

Educação

Lavras do Sul possui 18 escolas de Ensino Fundamental e uma de Ensino Médio. Possui ainda algumas creches municipais, uma associação para crianças excepcionais (APAE) e um centro para menores carentes e de reforço escolar (CBEM). Desde 2006, Lavras conta também com o Ensino Superior à distância, provido pela ULBRA. Mas a grande maioria dos concluintes do Ensino Médio que deseja continuar os estudos, acaba por se deslocar para outros centros maiores, como Bagé, Caçapava, Santa Maria ou até mesmo Porto Alegre e Canoas.

O trabalho de alfabetização com uma Primeira Série do Ensino Fundamental dividida em dois anos e está em atividade desde 1984. Cerca de 89% da população lavrense é alfabetizada, sendo mais de 6 000 alfabetizados acima de 10 anos de idade.

Relação de Escolas de Lavras do Sul

Escolas Estaduais (zona urbana):

Escola Estadual (zona rural):

Escolas Municipais (Ensino Fundamental, zona urbana):

Escolas Municipais (Ensino Fundamental, zona rural):

Dados sobre educação (IBGE, 2006):

Estabelecimentos:

Alunos:

Professores:

Freqüência às creches e escolas (2001): 2 220 alunos

Número de habitantes por anos de estudo (adultos, zona urbana, 2000):

Freqüência Escolar (2000):

Analfabetismo (2000):

Transporte Escolar (2004):

Centro de Bem Estar do Menor (CBEM)

O CBEM atende cerca de 80 crianças de escolas estaduais e municipais a partir dos seis anos de idade, em turno oposto ao do horário regular de aula. Nele, são desenvolvidas as atividades de cultivo de hortaliças, educação física e reforço escolar, além de servir as principais refeições. Conta com seis monitores e dois professores.


Segurança

Lavras é um município muito tranquilo e seguro. Até o início dos anos 90, Lavras do Sul era considerada a cidade mais bem policiada do Estado, com cerca de 1 policial militar para cada 17 pessoas. No entanto, após decisão do governo estadual, grande parte do contingente policial foi realocado, o que acabou defasando o 6º RPMon (Regimento de Polícia Montada) que está estabelecido no município.

Administração

Lavras conta com cerca de 6500 eleitores. O atual prefeito é Paulo Alcides Vidal de Souza, do PP. Possui, na Câmara Municipal, nove vereadores. Os principais partidos políticos com representação na cidade são o PP, PMDB, PSDB, Democratas (ex-PFL), PT e PDT.

Prefeitos municipais (desde 1969)

Os administradores do município de Lavras do Sul, desde 1969, foram estes:

Culinária

Quem vai a Lavras se surpreende com a variada culinária e uma alimentação peculiar, que agrada a todos os paladares.

A carne de ovelha é bastante apreciada na cidade, em diversas formas: desde as mais comuns, como costela e espinhaço, até as raramente consumidas em boa parte do Estado, por exemplo o coração. Há também um grande consumo de gado, sendo aproveitadas as mais diversas partes do boi. A pesca é artesanal e realizada em açudes; muitos vão "para fora", ou seja, em açudes na zona rural, para fisgar peixes como tilápias e carpas, que depois são consumidos em jantares, principalmente na Sexta-Feira Santa.

Definitivamente, não é necessário explicar por que o churrasco é o prato mais tradicional em festas, encontros de amigos e no cotidiano dos lavrenses, tanto na zona rural, quanto na sede municipal.

Feijão mexido, arroz e saladas são acompanhamentos que não podem faltar nos almoços e jantas lavrenses.

No café da manhã e no lanche da tarde, os pães de padarias como a 3 Estrelas, a Pão de Mel e a São José, saborosos, fazem grande sucesso.

Para quem não resiste a gostosuras, há locais, como o Xis do Zildo, o Bar Central e o Telúrica Bar, que preparam diversos lanches e pratos que agradam a todos os paladares e idades.

O Telúrica Bar, além do xis, é famoso por suas pizzas, calzones (pizzas dobradas, fechadas e com recheio) e por seus pratos com nomes de pessoas famosas da cidade (sanduíches como Fafá e Waguinho). Oferece ainda pratos à la-carte, como o Frango à Majestik (sobrecoxa de frango desossada e frita, decorada com pêssegos, abacaxis, figos em calda e queijo e acompanhada de arroz, batata frita e salada de maionese).

Um elemento que jamais pode faltar no dia-a-dia dos lavrenses é o tradicional chimarrão (ou mate, como os nativos da cidade o chamam). O chimarrão é sagrado, sendo preparado todos os dias, para espantar o frio, manter a tradição e unir as pessoas em volta. É bastante comum o fato de os moradores oferecerem mate aos visitantes de suas casas, não importa a hora do dia; é mais uma demonstração da hospitalidade lavrenses e da interior gaúcho.

Na zona rural, há o chamado café campeiro, com pães, geléias, compotas e quitutes feitos dentro das estâncias, com uma sabor diferente e único. É uma gastronomia típica da região e oferecida nos hotéis-fazenda do município.

Nos mercados da cidade, há diversas marcas e tipos de produtos e mantimentos que atendem a todas as necessidades da população. Podemos encontrar, desde marcas consagradas até produtos com fabricação e venda tipicamente voltados para as cidades do interior. É o caso, por exemplo, das tubaínas (refrigerantes de marcas pouco conhecidas); em Lavras, a população consome consideravelmente estas bebidas, superando os refrigerantes diet, os quais não são vendidos em determinados estabelecimentos.

Não podemos esquecer de citar os tradicionais doces caseiros e quitutes, preparados por diversas donas-de-casa em suas próprias residências, e que são oferecidos por elas às visitas. Quando visitamos a casa de alguém em Lavras, e a dona da casa nos oferece delícias como ambrosia, pão caseiro, merengue, bolo, figada, marmelada, pastel, rapadura, torta de bolacha, pizza de sardinha, entre outras, é praticamente impossível recusar e resistir às tentações da culinária lavrense. Aliás, estas donas de casa oferecem esses quitutes de livre e espontânea vontade, para qualquer visita. Os que não aceitam as ofertas destas guloseimas, preparadas com tanto carinho e satisfação, correm o risco de deixar essas dedicadas cozinheiras desapontadas, além é claro de deixarem de experimentar deliciosas iguarias.

Literatura

Quem pensa que Lavras não contribui para a literatura do Rio Grande do Sul está redondamente enganado. Vamos conhecer algumas das principais obras que simbolizam a arte das letras lavrenses, retratando e representando o Município:

Além de sua legítima literatura, Lavras também é referenciada e divulgada através de outros tipos de publicações, tais como:

Moda

Mesmo distante de grandes centros urbanos e comerciais do Brasil, em uma região baseada na agropecuária, um fenômeno pode ser percebido em Lavras do Sul: a presença de diversas grifes e lojas de moda, grande parte de moda feminina. Em meio a um ambiente rural e agrícola, as lojas In Cena, Ferabela e Primor Arte, entre outras, fazem da rua Dr. João Bulcão, no centro da cidade, o corredor das lojas de moda na cidade. Na rua Pires Porto e Praça Licínio Cardoso também podemos encontrar diversos magazines de moda, tanto de grifes, como também de brechós.

O Carnaval influencia também no vestuário de muitos lavrenses: no ano inteiro, diversos habitantes demonstram a sua simpatia pelos seus blocos, através de suas coloridas e criativas camisetas, produzidas pelos blocos todos os anos.

O lavrense se veste com estilo simples e despojado. Em muitas festas, não há formalismos e rigor nas roupas dos convidados, ao contrário: todos se vestem com simplicidade, porém com muita elegância, estilo e bom gosto.

Fatos recentes

Lavras do Sul passou a fazer parte, no início de 2009, da área de risco da febre amarela. A vacina para a proteção desta doença deve ser tomada por quem se deslocar ao município, dez dias antes da viagem. Felizmente, até maio de 2009, não há registro de nenhum caso da doença em território lavrense.

O interior de Lavras pode, em breve, se beneficiar da construção das barragens de Taquarembó e Jaguari, obras que estão previstas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. As obras, localizadas na divisa com os municípios de Rosário do Sul e São Gabriel, poderão melhorar o sistema de abastecimento de água, irrigação e agricultura, trazendo desenvolvimento e crescimento econômico para a região.

Outro grande projeto que mobiliza a comunidade lavrense é o asfaltamento da estrada que liga a cidade à Bagé, sonho que já dura décadas.

Uma triste notícia recente, que chocou a comunidade e o Estado, foi a morte do tenente-coronel aposentado e ex-vereador João Francisco da Cunha Franco, ocorrido em um grave acidente de trânsito, na manhã do dia 29 de maio de 2009, em Caçapava do Sul.

Quem nasce em Lavras do Sul é lavrense
Fonte: Wikipédia
Previsão do tempo em Lavras do Sul/RS

Nós usamos cookies necessários para fazer o nosso site e sua navegação funcionarem. Também gostaríamos de coletar cookies de análise de desempenho e outros que nos ajudem a fazer melhorias medindo como você usa o nosso site. Política de Cookies.

Você pode aceitar todos os cookies clicando em “Aceitar todos” ou rejeitar os que não são necessários clicando em “Rejeitar cookies não necessários”.

Para visualizar e alterar suas preferências, clique em Definições de cookies.